OIT sugere que países protejam poder de compra dos trabalhadores para combater recessão

26 novembro 17:17 2008

Não só o mercado financeiro, mas também os trabalhadores assalariados, especialmente os mais vulneráveis, devem ser alvo de políticas de proteção contra a crise econômica que já levou alguns países desenvolvidos à recessão. Essa é uma das conclusões do Relatório Mundial sobre Salários 2008/2009, divulgado ontem (25), em Genebra, Suíça, pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).


A projeção feita pela organização é que, em 2009, o crescimento médio dos salários seja menor do que a média recente, caindo de um crescimento dos salários médios de 1,7% este ano para 1,1% no ano que vem. Nos países desenvolvidos, o crescimento dos salários de 2008 deve ficar em 0,8%, contra uma redução de 0,5% em 2009.


A diretora do escritório da OIT no Brasil, Laís Abramo, destaca que atualmente os governos têm investido em pacotes de estímulo fiscal, para fortalecer o mercado e o consumo internos, mas que também é necessário dar mais força às políticas de proteção social e às instituições do mercado de trabalho, como o salário mínimo e a negociação coletiva, dois pontos analisados pelo relatório.
‘O salário não deve ser usado como uma variável de ajuste, é importante manter o poder aquisitivo dos assalariados e não cortar o poder aquisitivo’, ressaltou.


De acordo com ela, as sinalizações dadas pelo governo brasileiro, de continuidade da política de valorização do salário mínimo, são importantes, ‘inclusive para dinamizar o mercado interno e evitar o aprofundamento da crise recessiva, porque se não você entra numa espiral que vai levando [a economia real] para baixo’.


Segundo a OIT, além da garantia da continuidade do crescimento dos salários médios, é importante que o salário mínimo seja fortalecido e preserve o seu poder de compra. O mesmo princípio de fortalecimento se aplica às negociações coletivas, por categoria, com a organização dos trabalhadores em sindicatos para a reivindicação de melhorias salariais.

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