Contra leilão de blocos, petroleiros ameaçam paralisar atividades

15 dezembro 18:57 2008

Rio de Janeiro, 15 de Dezembro de 2008 – A Federação Única dos Petroleiros (FUP) pretende paralisar as operações do sistema Petrobras amanhã, em protesto contra a realização do leilão de blocos de petróleo e gás natural do governo brasileiro no dia seguinte. Segundo o coordenador da FUP, João Antônio de Moraes, além da paralisação os sindicatos regionais ligados à entidade entrarão com pedidos na Justiça Federal para suspender o leilão.


‘Nós já éramos contra os leilões, e no meio de uma crise de crédito, com pouca disponibilidade de capitais, a tendência é arrecadar menos ainda pelos blocos’, disse Moraes à Reuters.


O governo prevê realizar nos dias 17 e 18 de dezembro a 10ª rodada de licitações de blocos de petróleo e gás natural promovido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Se a Fup tiver sucesso, este seria o segundo leilão da ANP suspenso pela Justiça. Em 2006, a 8ª rodada foi suspensa e liberada um pouco depois, mas até hoje continua congelada à espera de novas regras para o setor.


Apesar da crise financeira global, que vem restringindo crédito, 47 empresas foram habilitadas para a 10ª rodada. Este é o segundo maior número na história dos leilões da ANP iniciados em 1999 após a quebra do monopólio do petróleo da Petrobras no Brasil. Pela primeira vez o leilão venderá apenas blocos em terra, considerados menos atrativos pelo mercado por geralmente terem menor volume de petróleo e gás do que os blocos marítimos.


Moraes afirmou que a categoria pretende iniciar uma campanha ao estilo ‘O Petróleo é nosso’, que desencadeou a criação da Petrobras, por entender que as regras no País devem ser alteradas para aumentar a arrecadação do governo com o petróleo. Ele informou que a FUP tentou participar da comissão interministerial que estuda a mudança de regras do setor de petróleo, comandada pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, mas que a entidade ficou limitada a dar sugestões e não ganhou assento no grupo. ‘Eles se limitaram a nos ouvir, mas esse assunto tem que ter um canal aberto de negociação com a sociedade civil’, destacou Moraes. (Reuters)

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