Em defesa dos direitos e dos salários. Por Artur Henrique

16 dezembro 12:03 2008

Proposta de flexibilizar direitos feita pelo presidente da Vale é oportunismo. CUT vai organizar greves e mobilizações para defender empregos


Nada mais permanente do que soluções classificadas de temporárias, especialmente quando beneficiam interesses imediatos e históricos de grandes grupos que detêm forte influência.


Propor ‘flexibilização’ temporária de direitos trabalhistas, como fez em entrevista recente Roger Agnelli, o presidente da Vale do Rio Doce*, é além de tudo oportunismo. Uma simples análise dos resultados financeiros dessa empresa nos últimos anos mostra que o conglomerado ganhou muito, muito dinheiro mesmo. Lucros imensos que permitem aos seus dirigentes encontrar soluções mais corajosas para enfrentar queda de consumo do que simplesmente demitir trabalhadores ou sugerir que abram mão de parte dos salários ou dos direitos.


Devemos lembrar também que a Vale do Rio Doce*, como diversos grupos empresariais, tem recebido ao longo do tempo muita ajuda vinda do patrimônio público, tais como empréstimos a juros subsidiados e deduções tributárias. Ora, se o dinheiro que suporta tais ajudas é público, foi construído pelos trabalhadores e a eles pertence. Portanto, é no mínimo indecente tomar como solução fácil e de primeira hora  eliminar os trabalhadores do jogo.


Na mesma entrevista em que propõe flexibilização de direitos dos trabalhadores, Agnelli informa, candidamente, que a empresa vai investir 14 bilhões de dólares em 2009. Como é possível que tal projeto de investimento não inclua a manutenção dos direitos e do pleno emprego? Queremos esclarecer também que o presidente da empresa jamais participou de mesas de negociação com os representantes dos trabalhadores.


É oportunismo, repetimos, usar do clima de temor provocado pela crise financeira nascida no exterior para colocar assalariados contra a parede. A CUT e seus sindicatos filiados organizarão mobilizações e greves para forçar empresariado e governos a adotarem instrumentos explícitos e firmes em defesa dos empregos e dos salários. (Artur Henrique, presidente da CUT)


*A CUT continua chamando a empresa Vale do Rio Doce por seu nome original, como forma de lembrar sempre o escandaloso processo de liquidação promovido pela privatização desse patrimônio nacional, com ajuda de empréstimos públicos, a um preço tão ínfimo que logo foi superado pelos primeiros resultados obtidos pelo sagaz comprador.

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