Os trabalhadores não pagarão pela crise

09 janeiro 09:55 2009

Protestos contra demissões na Vale do Rio Doce e na TRW  Protesto na TRW, em DiademaOs trabalhadores da Vale do Rio Doce, sede Itabira (MG), e os metalúrgicos da TRW (Diadema), protestaram nesta quinta-feira (8) contra as demissões que vêm ocorrendo nas empresas. A CUT/MG mobilizou cerca de 350 trabalhadores na entrada principal.


O protesto que durou toda madrugada (0h e 6h da manhã) é contra o aumento do número de férias coletivas e demissões. No último dia 3 de dezembro, a Vale do Rio Doce anunciou a demissão de 260 trabalhadores no estado de Minas Gerais. Em todo o mundo, a empresa dispensou 1,3 mil funcionários.


Para o presidente da CUT Minas, Marco Antônio de Jesus, as empresas estão aproveitando o momento de crise para flexibilizar os direitos dos trabalhadores. ‘A crise existe e, em alguns setores chegou mais rápido e em outros ainda não. A Vale tem condições de bancar seus funcionários por mais um ano. Não aceitaremos que os trabalhadores paguem a conta e estaremos empenhados para que este tipo de mobilização que ocorreu hoje se estenda para outras regiões’, enfatizou.


Na avaliação do presidente do Metabase, de Itabira, Paulo Soares de Souza, o cenário é de indignação. ‘A empresa ameaçou os trabalhadores com demissões caso participassem da mobilização’.


Em Diadema, mais de 500 trabalhadores se reuniram na porta da TRW, e decidiram intensificar as lutas contra as 210 demissões anunciadas pela empresa no final do ano passado.  ‘Vamos fazer a luta que tiver de ser feita para que a TRW volte atrás nessa decisão arbitrária e truculenta’, afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre. 


Segundo ele, as empresas nunca ganharam tanto dinheiro como nos últimos anos e, por isso, também devem contribuir nos momentos de dificuldades. ‘Eles faturaram uma fábula e agora não querem gastar nada com a crise. Por isso, tínhamos que discutir algo como o que os sindicalistas estão reivindicando em países da Europa, que é a cobrança de um imposto de 2% sobre as grandes fortunas em momentos como esses’, defendeu o dirigente. (Ana Paula Carrion)     

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