Menos juros, mais empregos

22 janeiro 10:43 2009

Nesta quarta (21), horas antes da reunião do Copom, milhares protestam em frente ao BC na Paulista,  para exigir a redução mínima de dois pontos percentuais na taxa básica de juros, a Selic.


‘As centrais sindicais estão mais uma vez unidas para exigir a imediata redução dos juros e do spread bancário (lucro que o banco obtém por tomar dinheiro a um custo menor do que cobra quando empresta) a fim de que se possa ampliar os investimentos e fazer a roda da economia girar pra frente, fortalecendo a produção, gerando emprego e redistribuindo renda’, afirmou Vagner Freitas, secretário de Políticas Sindicais da CUT Nacional e presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT).


Vagner sublinhou que ‘é inaceitável o oportunismo da Fiesp e de banqueiros que apostam nas demissões e no assalto aos direitos dos trabalhadores para ampliar seus lucros’ e alertou que ‘se tiver demissão, tem greve!’. A respeito da fixação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em alegar que são necessários juros altos para segurar a inflação, Vagner lembrou que todas as projeções apontam para uma diminuição do índice inflacionário, ‘e que é preciso mudar o remédio se a doença mudou’.


‘O que o Brasil precisa agora é de investimento, aumento do salário mínimo, de mais crédito para a agricultura e a exportação, de um sistema financeiro que atue em favor da nação’, acrescentou o representante cutista, lembrando que o próprio presidente Lula tem declarado que é preciso enfrentar o desalento provocado pela crise que emana dos países capitalistas centrais ‘com otimismo e investimento na nossa própria capacidade, apostando no fortalecimento do mercado interno, no aumento do consumo’.


‘Os trabalhadores não podem pagar por uma crise que é do modelo neoliberal, da cartilha ditada pelo Banco Mundial e pelo FMI de desregulamentação financeira, de privatização do Estado e precarização de direitos. Nós precisamos de uma agenda propositiva. Por isso a CUT é irredutível: queremos um sistema financeiro que propicie a expansão da economia, o desenvolvimento. Por isso não aceitamos redução de salário nem de direitos e exigimos que qualquer recurso aplicado para socorrer empresas que estejam realmente em dificuldades sejam acompanhados por contrapartidas sociais’, enfatizou Vagner.


Além de pedir a queda dos juros, o presidente nacional da CUT, Artur Henrique, classificou de ‘propostas oportunistas que surgem em momentos de crise’. Ele se referiu às ideias de empresários que têm defendido a flexibilização dos contratos de trabalho como forma de amenizar os efeitos da crise. 


Bancários


Antecipando a manifestação conjunta convocada pela CUT, CGTB, CTB, Força, NCST e UGT, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região montou uma tenda em frente ao BC e fez um ato dando visibilidade às demissões na categoria. ‘Estamos nas ruas defendendo a redução dos juros e dos empregos’, declarou Luiz Cláudio Marcolino, presidente do Sindicato, alertando que na última semana ocorreram 400 demissões no banco Santander e outra centena no HSBC.


‘Os banqueiros estão se aproveitando da crise para reduzir a categoria. Também se aproveitam da crise e a agravam quando não concedem empréstimo para as empresas, para os brasileiros’, disse Marcolino, ressaltando que a queda da Selic pode reduzir a dívida pública para ter mais recursos para a geração de empregos. Conforme o Diesse, cada ponto percentual de redução na Selic representa uma economia de R$ 15 bilhões para o país. Marcolino lembrou ainda que ‘o Copom tem de baixar os juros hoje e indicar tendência de queda para os próximos meses, pois no mundo inteiro as taxas estão caindo e no Brasil não pode ser diferente. Isso é importante para que possamos retomar o crescimento’.


Outros estados
Também ocorreram manifestações em Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba. O principal alvo dos protestos foi o presidente da autoridade monetária, Henrique Meirelles. (Leonardo Severo)

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