Sinergia CUT na luta por emprego e renda

13 fevereiro 18:10 2009

Sindicato participa do Dia Nacional de Luta e engrossa o coro contra a especulação: ‘querem lucrar com a crise, a classe trabalhadora não vai pagar essa conta’


A Praça do Patriarca em São Paulo foi palco de mais uma grande manifestação da CUT e dos sindicatos filiados, que lançaram a pergunta: o que o governo de São Paulo está fazendo contra a crise?

A manifestação aconteceu na manhã desta quarta-feira (11), e contou com a participação do Sinergia CUT engrossando o grito de guerra defendido pela Central: ‘a classe trabalhadora não vai pagar essa conta’.


De acordo com a direção do Sinergia CUT, o principal objetivo desta mobilização é mostrar à sociedade que a CUT e os sindicatos filiados estão dispostos a resistir e lutar pela preservação dos empregos e do valor dos salários, apesar da crise financeira internacional.


‘Não negamos a existência da crise, mas a intensidade no Brasil é diferente dos Estados Unidos e da Europa, porque nos últimos seis anos o governo Lula adotou medidas para desenvolver o mercado interno. Agora, existem atores que se aproveitam do momento para tentar impor a agenda negativa, a flexibilização de direitos, a supressão de benefício e a redução de salários’, afirmou Sebastião Cardozo, o Tião, presidente da CUT-SP.


O dirigente também destacou a omissão da gestão do PSDB em São Paulo, ‘que se esconde, foge do debate e não sinaliza com medidas para impulsionar a produção’, disse.


Omissão


De acordo com o secretário de Comunicação da CUT-SP, Daniel Reis, ‘é possível enfrentar esse período sem demissão, coisa que os governos Serra e Kassab não estão sabendo fazer. Enquanto o governo Lula amplia programas sociais, diminui o IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) dos automóveis, aumenta o valor do mínimo e aumenta a oferta de crédito para o mercado, na cidade e no Estado de São Paulo não vemos qualquer ação semelhante’. 


Um exemplo de que o governo estadual segue na contramão do governo federal, é o secretário estadual do Emprego e Relações do Trabalho, Guilherme Afif, sugerir a suspensão do contrato de trabalho sem custos para a empresa.


Para o presidente nacional da CUT, Artur Henrique, que durante a manifestação da Praça do Patriarca estava em outro protesto na unidade Volkswagen em São Bernardo, ‘enquanto hoje há um clima de diálogo com o governo federal para o enfrentamento da crise, durante o desgoverno FHC se defendia e praticava a desregulamentação, a privatização e se vendia tudo que era público’.


‘Imaginem o que seria o Brasil sem a Petrobras, sem a Eletrobrás e o BNDES. O Serra vendeu o único banco de fomento do Estado, a Nossa Caixa; vendeu a empresa de transmissão de energia elétrica. Pratica o Estado mínimo com o nome de choque de gestão. É contra isso que estamos em luta. Pelo Brasil, por emprego, renda e direitos’, afirmou Artur.


Por volta do meio-dia, os manifestantes deixaram a praça para caminhar pelas ruas do centro da cidade dialogando com a população. A movimentação terminou na Praça Antonio Prado, diante da sede do Banco Santander e da Bolsa de Mercadorias e Futuros, onde os trabalhadores reafirmaram o ‘sim’ ao desenvolvimento com emprego e renda e o ‘não’ à redução de salários e à especulação.


Lágrimas de crocodilo


Na realidade, o empresariado brasileiro está chorando de barriga cheia. Ao contrário da apologia nefasta feita pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que quer reduzir a jornada com redução dos salários, reduzir a jornada sem redução de vencimentos só iria combater a crise, pois geraria mais emprego e mais renda para a classe trabalhadora, ampliando o poder de compra e fomentando a economia insterna.


Muitos dados comprovam que o empresariado está escondendo os lucros e chorando lágrimas de crocodilo. Por exemplo: desde 2004 o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro cresce gradativamente mesmo atravessando outras crises internacionais; em 2008 a produção do café cresceu 5% em relação a 2007; segundo a Fenabrave (Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores), a venda de carros e caminhões cresceu 14,15% em 2008 (esse resultado era esperado somente em 2010); ainda segundo a Fenabrave, a expectativa de crescimento da venda de carros de passeio para 2009 é de 4,2% em relação a 2008; a indústria de aviação teve crescimento de 20% no ano passado; em dezembro de 2008, o comércio registrou vendas 5% maiores que em 2007, quando também já havia ocorrido recorde em relação a 2006; há também os bancos, que acumulam lucros exorbitantes a cada ano.


Para a direção do Sinergia CUT, ao invés de ficar acumulando capital, aplicando dinheiro na ciranda financeira ou mandar grana para o exterior, os empresários deveriam ter responsabilidade social e preservar o emprego, porque os trabalhadores não podem pagar  pela crise.     

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