CUT promove 15º Encontro Nacional de Formação

20 março 11:27 2009

Políticas de formação e de comunicação são fundamentais para a disputa da hegemonia


Teve início nesta quinta-feira (19), em São Paulo, no Hotel Braston (Martins Fontes 330), o XV Encontro Nacional de Formação – ENAFOR, espaço que debaterá até sábado (21), a formação sindical de dirigentes na estrutura cutista. O primeiro painel coordenado pelo secretário nacional de Formação, José Celestino (Tino) abordou o cenário político-sindical e o papel da política nacional de formação. A mesa contou com intervenções do presidente da CUT Nacional, Artur Henrique, do secretário de Participação Cidadã da Prefeitura de Embu, Pedro Pontual e da secretária de Política Sindical e Educacional da CSA/CSI, Amanda Vilattoro.


‘Nosso grande desafio neste XV ENAFOR é garantir a consolidação do Plano de Formação Sindical que iniciamos em 2008, em todas as suas dimensões, porém, considerando os novos fatos que vêm caracterizando a conjuntura atual e as novas questões que daí derivam’, declarou Tino, secretário Nacional de Formação da CUT. ‘Nosso objetivo é consolidar uma estratégia formativa que além de avançar no processo de desenvolvimento de ações, articuladas nacionalmente, possibilite uma relação mais consistente da nossa Rede de Formação com Universidades, Centros de Pesquisa e Estudos, e principalmente com as demais políticas permanentes da CUT’, enfatizou.


O presidente da CUT abriu o encontro enfatizando a importância do evento para a Central que traz consigo grandes desafios a serem superados. ‘O debate sobre a formação é político e ideológico, portanto, temos que retomá-lo como parte da estrutura e organização sindical. Existem questões que precisam ser resolvidas e acredito que isso possa acontecer dentro de uma articulação nacional de política de formação. Vivemos um momento propício onde o conjunto da CUT está ciente de seu papel no processo de disputa de hegemonia. Os Ramos precisam participar do projeto se envolvendo e se responsabilizando para que a auto-sustentação da política de formação se estabeleça como um projeto político organizativo da classe trabalhadora’.


Artur falou sobre a crise internacional que vem afetando vários países e que se coloca como um momento estratégico de desconstrução e criação de um novo modelo econômico. ‘Estamos em momento de disputa de hegemonia e para isso é fundamental o investimento em formação e comunicação. Todos os espaços que o governo Lula criou de debate tanto na educação, saúde e agora comunicação podem ser extintos se não os garantirmos enquanto espaço público’.


Na mesma linha de raciocínio, Paulo Pontual, também destacou que a crise pode ser uma oportunidade de avanço para o conjunto dos movimentos sociais e mostrar a sua capacidade de construção de um modelo alternativo de desenvolvimento. A disputa da hegemonia envolve um conjunto de idéias capazes de convencer corações e mentes para a emancipação da classe trabalhadora.


‘A necessidade de construção de um processo de cidadania ativa; a educação dos trabalhadores como forma de empoderamento dos movimentos sociais; a interculturalidade (reconhecimento das diversidades como base na educação); a comunicação e as novas tecnologias que possibilitaria a autonomia coletiva dos movimentos sociais que poderia apresentar suas propostas e visão à sociedade; a mudança na relação de trabalho, que tipo de educação dá conta dessa nova realidade e o novo processo de convivência entre os seres humanos com reconhecimento  e respeito de diversidades são aspectos que salientaria neste processo’, ressaltou.


Segundo ele, elementos como a co-responsabilidade nas ações de formação desenvolvidos em todos os estados e para todos os ramos; complementaridade entre os diversos programas de formação; descentralização das atividades e a indelegabilidade  da CUT como responsável pela formação de seus dirigentes e  de fortalecimento do projeto sindical precisam ser observados.


Amanda Vilattoro, que apresentou as propostas da CSA (Confederação Sindical das Américas) de enfrentamento à crise salientou a importância da formação sindical na disputa da hegemonia. ‘Assim como a formação a comunicação tem papel estratégico – ambos são temas urgentes que devem ser analisados pelo o conjunto da classe trabalhadora. A CSA também acredita nesses dois elementos para avançar e fortalecer sua luta’.


Na parte da tarde será abordado o papel da CUT no debate nacional sobre a educação brasileira com a participação do secretário executivo do gabinete do Ministro de Estado da Educação e Coordenador Geral do CONAE, Francisco das Chagas Fernandes. (Ana Paula Carrion)

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