Crise econômica e seus impactos em debate

07 abril 11:42 2009

Sinergia CUT participa do encontro que reúne na Alesp autoridades políticas, sindicais e profissionais da grande imprensa: as diferenças de projetos políticos do PT e PSDB se evidenciam nas medidas de combate à crise


Com a presença de mais de 200 pessoas foi debatida na Assembleia Legislativa, nesta segunda-feira (6), a crise econômica mundial e seus impactos no Brasil e no Estado de São Paulo, pelo ex-ministro da Fazenda e atual deputado federal, Antonio Palocci; pelo presidente da CUT, Artur Henrique e pela jornalista do Valor Econômico, Maria Cristina Fernandes; além de lideranças políticas e sindicais, entre elas, a ex-prefeita da Capital, Marta Suplicy, e o presidente do Diretório Estadual do PT, Edinho Silva.  


O evento organizado pelo líder da Bancada, deputado Rui Falcão, teve como uma das principais conclusões, nas intervenções dos debatedores e participantes, que a crise não está atingindo o Brasil de forma mais intensa devido ao trabalho realizado pelo governo Lula nos últimos anos, que praticamente ‘saneou’ a economia do país, além da sua agilidade na adoção de medidas de combate à crise. Já no Estado de São Paulo, o governador Serra resiste em ser parceiro do governo federal nestas medidas e seu único objetivo, transparece ser o de candidato às eleições presidenciais de 2010.


O deputado federal, Antonio Palocci, iniciou sua intervenção afirmando que ‘realmente é uma pena esta crise econômica ter chegado, porque o Brasil nunca esteve tão bem em sua história, como estava até agosto de 2008, quando a soma de empregos formais atingiu os dois milhões, compatíveis aos números de grandes economias do mundo’.


Felizmente, segundo Palloci, o Brasil tinha reservas, o nosso dinheiro – o real – não se desvalorizou e as contas públicas se mantiveram em ordem. A rapidez na tomada de decisões na política tributária e de juros também ajudam o país a superar mais os efeitos da crise. Segundo ele, ‘este será o ano mais duro para o país, mas temos condições de retomar o crescimento mais rápido que outros países. Isto porque o Brasil tem mostrado que não depende de um único produto ou de um único mercado’.


A crise do neoliberalismo
O presidente da CUT, Artur Henrique, explicou que é preciso deixar bem claro a origem e os responsáveis pela crise: ‘esta crise tem nome, endereço e RG e quem a implantou foi o neoliberalismo’.


Segundo Artur, a política neoliberal no país foi capitaneada pelo PSDB e continua a ser praticada em estados governados pelo partido, como é o caso de São Paulo, Minas Gerais e São Paulo. Em São Paulo, por exemplo, os tucanos continuam a política de vender patrimônio público, como foi o caso da CTEEP – empresa de transmissão de energia – e do banco Nossa Caixa. Ele explicou que os trabalhadores defendem os investimentos do governo, como tem feito o presidente Lula, ao manter os investimentos do PAC e ao propor uma expansão no setor habitacional. ‘Só com essas atitudes é que serão gerados empregos e renda’, defende o presidente da Central.


Artur também criticou a postura do governador Serra: ‘aqui parece que a crise só tem a ver com governo Lula. E o Serra? Quando ele vai sair da cadeira e propor medidas para combater a crise, porque o Estado é o maior do país e, consequentemente, o que mais sofre os efeitos’.


Manifestações dos participantes
Para provocar o debate, a jornalista Maria Cristina Fernandes questionou o líder da Bancada do PT, deputado Rui Falcão, e as demais lideranças políticas presentes, sobre o fato de José Serra deixar transparecer que é um candidato à presidência pós-Lula e que não seria um governo antagônico ao atual.


Rui Falcão explicou que esta é a imagem que Serra quer vender, de candidato pós-Lula, mas ele não é o candidato de Lula. ‘Os projetos de governo do PT e do PSDB são muito diferentes e precisam ficar bem nítidos’, ressaltou o deputado. Segundo Rui, no Estado de São Paulo, há um ‘alheamento perante a crise’, e que várias medidas do governo federal encontram resistência, ‘talvez por conta de questões eleitorais’.


Para o líder da Bancada, é preciso ficar claro as ações do governo Serra. A divulgação do programa de expansão do governador Serra, por exemplo, omite que as obras do Metrô carregam um atraso secular, quando os seguidos governos tucanos no Estado construíram menos de um quilômetro de Metrô por ano. ‘O prefeito da Capital, Gilberto Kassab, candidato do governador à prefeitura de São Paulo, nas eleições prometeu  colocar um R$ 1 bilhão nas obras do Metrô, no entanto, transferiu ao Estado apenas R$ 275 milhões’, esclareceu Rui.


Há ainda, segundo Rui Falcão, descaso dos tucanos com os gastos em habitação, aplicação de uma política tributária que prejudica diversos setores da economia, além da antecipação da campanha eleitoral, por parte de Serra, ao fazer propaganda da Sabesp em veículos de comunicação de vários Estados do país.


O presidente do Diretório Estadual do PT, Edinho Silva, também respondeu a provocação da jornalista, afirmando que ‘é evidente que Serra quer se colocar junto ao presidente Lula, diante da sua aprovação junto a opinião publica’.  Porém, Edinho também frisou a diferença de projetos políticos dos petistas e dos tucanos.


Para ele, a habitação em São Paulo é exemplo disso. Os tucanos fazem um discurso agressivo de que estão construindo muitas casas, quando na verdade, no último ano foram menos de 25 mil unidades. Também do ponto de vista social, Edinho destacou que ‘enquanto Lula aumenta as medidas compensatórias, como o Bolsa Família, José Serra contingência recursos. Enquanto Lula fortalece o Banco do Brasil e o BNDES, Serra vende a Nossa Caixa’.


A ex-prefeita da Capital, Marta Suplicy, destacou a importância do encontro, ao explicitar as ações do governo Lula frente a crise, e demonstrar, uma vez mais, como o PT é bom de governo. Para ela, o PT apenas precisa ficar mais capacitado para mostrar o que sabe fazer e desmistificar o que propagandeia o PSDB: ‘nós temos que aprender a fazer a comunicação do que a gente sabe fazer melhor’.


‘Quando a gente fala em Metrô, as pessoas esquecem de quem é a culpa das obras ficaram emperradas por anos e anos e, assim, em tantos outros casos’, destacou Marta Suplicy


O deputado estadual Enio Tatto também afirmou que o governador Serra não faz a sua parte no combate a crise e apenas se beneficia do crescimento econômico gerado pelo governo Lula. ‘Serra não tem preocupação com a crise econômica e parece até que torce para ela piorar, pois assim pode almejar seus objetivos eleitorais para 2010’.


Também estiveram presentes ao debate os deputados estaduais Adriano Diogo, José Zico Prado, Roberto Felício e Simão Pedro; o deputado federal Carlos Zarattini; além de vereadores de várias cidades do Estado.


    

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