Cteep tem plano ousado para dobrar de tamanho

04 junho 15:37 2009

O colombiano Cézar Ramírez assumiu há três meses a presidência da Companhia de Transmissão Paulista (Cteep), controlada pela estatal colombiana ISA, com a missão de levar adiante um agressivo plano de expansão da companhia. O objetivo é dobrar de tamanho até 2016 e a empresa não tem ficado só nas intenções como tem demonstrado o apetite pelo mercado brasileiro. No ano passado, arrematou junto com Furnas parte importante do linhão do Madeira. Neste ano, entrou em quatro empreendimentos no primeiro leilão realizado pelo governo federal. E não bastasse se comprometer com novos projetos, a empresa ainda chegou a fazer uma proposta de compra pela Terna Participações, que acabou sendo adquirida pela Cemig e levou a estatal mineira de uma participação de 5% para 12% do mercado brasileiro de transmissão.


‘Sem dúvida, adquirir novos ativos é parte da estratégia para crescer’, diz Ramírez, que era o executivo de estratégia corporativa da ISA na Colômbia. Mas os planos da ISA são ainda mais ambiciosos. Por trás da estratégia da compra da Cteep – os colombianos a adquiriam em 2006, quando o governo paulista se desfez dos ativos – está a ideia de investir na interconexão elétrica de toda a América Latina e ainda entrar no ramo de telecomunicações. Todas as novas linhas de transmissão da Cteep já estão sendo construídas com colocação de fibra ótica e não será diferente no linhão do Madeira. Dos 12 mil quilômetros de linhas, cerca de 2,5 mil quilômetros já têm fibra ótica.


A crise financeira chegou a frear os planos da companhia, no início do ano, na compra de novos ativos, pela dificuldade de crédito, segundo Ramírez. Mas isso não impediu a empresa de fazer uma proposta pela Terna e outros ativos continuam na sua mira. A empresa só não tem interesse em comprar participações acionárias, como as que estão sendo oferecidas pelas espanholas Abengoa e Isolux. ‘Nosso objetivo é adquirir linhas de transmissão e não participação em holdings’.


Se os planos de aquisição de ativos foram freados, em compensação, os novos projetos estão sendo levado adiante principalmente pelo apoio do BNDES, que garantiu por exemplo o sucesso do leilão das linhas do Madeira no ano passado em meio à fase mais aguda da crise. ‘O governo brasileiro está de fato comprometido com os projetos de infraestrutura e isso faz toda a diferença’, diz Ramírez.


Dona de uma receita de R$ 1,8 bilhão no ano passado, a companhia se gaba de ser hoje a maior do país, no segmento, em receita, com 17% do mercado, se considerar separadamente as empresas do grupo Eletrobrás. A capacidade de alavancagem é alta, pois apenas 20% do patrimônio está comprometido com dívidas. No setor em geral, esse percentual chega a 50%. O plano de investimentos já comprometido chega a R$ 2,1 bilhões, até 2011. E cerca de R$ 1,3 bilhão será destinado para renovação e ampliação das linhas que já possui.


Mas para ter o dobro do tamanho em 2016, a companhia terá ainda que enfrentar o desafio do imbróglio do fim da concessão em 2015. Ramírez diz, entretanto, que mesmo que não haja uma renovação da concessão, a empresa pretende participar de uma possível licitação. Cerca de 80% das linhas, subestações e retransmissoras da Cteep vencem naquela data. Mas nessa conta não estão os novos ativos, ou seja, as concessões arrematadas nos últimos leilões.


O trunfo da companhia para crescer tão forte no país tem sido sua parceria com a Eletrobrás. Não só as duas têm se associado para participar de novos projetos postos em leilão, como a estatal brasileira é sócia relevante da ISA na Cteep. Os colombianos têm o controle com 37,46% das ações, mas a Eletrobrás é dona de 35,29%.


É com essa parceria que a colombiana pretende realizar sua estratégia de interconexão. A Eletrobrás está desenvolvendo projetos de geração de energia no Peru e a idéia é, a partir de Rondônia, ligar o Brasil ao Peru. De lá, a ISA tem uma conexão com o Equador. E a partir daí, as linhas seriam ligadas à Colômbia até chegar no Panamá, na América Central. ‘E a Guatemala já tem um projeto de interconexão com o México’, diz Ramírez.


Também deverá ser com parceria que participará de Belo Monte, a hidrelétrica que está hoje em fase de estudos para ser leiloada ainda neste ano. Ramírez diz que a Eletrobrás estará mais forte nos próximos leilões já que a estatal poderá ser majoritária depois de aprovada a Medida Provisória das hidrelétricas, mas mesmo uma sociedade em que a Cteep seja minoritária é vista com bons olhos pelo novo presidente da companhia.(Josette Goulart, de São Paulo) 

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