CTEEP: assembleias hoje para aprovar Plano de Lutas Unificado

08 junho 10:17 2009

Empresa anuncia proposta final e sindicatos respondem com mobilização unificada. Sinergia CUT quer reabertura das negociações por um ACT que atenda a expectativa dos trabalhadores


O Sinergia CUT e demais sindicatos que negociam na Campanha Salarial com a CTEEP rejeitaram, no último dia 4, a proposta da empresa. Isso porque, apesar de apresentar avanços em relação às propostas anteriores, há itens que não atendem à expectativa dos trabalhadores.


Vale observar que os negociadores da transmissora sempre apresentam a proposta aos sindicatos para aprovação em bloco (ou tudo ou nada). Como a CTEEP afirmou ser essa a sua proposta final, as entidades sindicais decidiram em consenso traçar um plano de luta unificado, pela reabertura das negociações e por avanços no ACT.


As assembleias já estão acontecendo na manhã desta segunda (08), nos locais de trabalho. O Sinergia CUT discute com os trabalhadores de sua base a retirada do calendário de lutas já debatido e aprovado na semana passada e para encaminar e aprovar o novo plano, que prevê mobilização de quatro horas em todos os locais de trabalho da CTEEP na próxima segunda (15).


A mobilização unificada é um protesto dos trabalhadores contra a intransigência da empresa em não apresentar uma proposta de ACT que atenda as expectativas dos trabalhadores. Somente com a mobilização de todos será possível retomar e avançar nas negociações.


OS AVANÇOS DA PROPOSTA
O índice de correção salarial de 6,2% representa um aumento real de 1,04 % sobre o índice da FIPE (5,11%). Aos benefícios foi proposto um reajuste de 8%. Quanto à PLR 2009, o negociado agora garante o fechamento da folha em dezembro de 2009, o que aumenta o valor, já que esse é o mês de pagamento de benefícios como o 13º (o negociado anteriormente era que a folha seria de janeiro de 2010).


OS ENTRAVES DA PROPOSTA



  • PLR 2010: a proposta da empresa é que as metas  sejam discutidas até novembro de 2009 e que o valor seja de duas folhas nominais. O Sinergia CUT concorda em discutir metas em separado do ACT, no entanto, quer negociar já, durante a CS, o percentual de 1,6% sobre o Resultado de Serviço como montante da PLR 2010.
  • Política de emprego: sem dúvida, esse é o maior entrave da negociação. A empresa propõe um quadro mínimo de 1.150 trabalhadores (o mesmo número de pessoas que havia na empresa em 31 de maio de 2006, ano da privatização) e uma rotatividade de 5% com  indenização por demissão de 50% da remuneração total, limitada a dez remunerações.
  • Mais: a redação da proposta prevê que, em caso de reestruturação, a CTEEP poderá demitir sem negociação com o Sindicato, pagando uma indenização de 50% da remuneração ao ano (limitada a dez remunerações) e 24 meses de AMHO e de VA e VR.

O Sinergia CUT não aceita essa proposta. Ela coloca no foco da demissão, além dos 5% do quadro mínimo proposto, cerca de 200 trabalhadores que entraram na empresa a partir de junho de 2006.


Vale lembrar que, em 2007, a transmissora manipulou o processo negocial durante a Campanha Salarial de forma que, com excessão do Sinergia CUT, as outras entidades aprovaram a proposta apresentada como final pela empresa e que prejudicava os trabalhadores.


Entre outros prejuízos, aquele acordo mudou a cláusula de garantia de emprego por três anos, uma conquista alcançada em intensas negociações com o Sinergia CUT antes da privatização da CTEEP. Por não ter assinado esse acordo, a negociação com o Sinergia CUT foi para dissídio. Em julgamento, o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, de Campinas, confirmou a manutenção de todas as cláusulas existentes no Acordo Coletivo 2006-2007, dando a vitória aos trabalhadores.


Por tudo isso, o que se conclui é que agora em 2009, a CTEEP novamente quer manipular as negociações para aprovar uma rotatividade e um quadro mínimo injustos e arbitrários que lhe darão poder para colocar na rua centenas de trabalhadores. Contra tanta intransigência e manipulação, mobilização! Plano de luta neles!

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