Furnas: o efeito da pressão

06 julho 13:11 2009

Depois das 48 horas de mobilização e da aprovação de 72 horas de paralisação, Eletrobrás volta atrás e chama reunião para tratar sobre a indenização em função da redução do internível. Mobilização está suspensa


Mais uma vez foi provada a força da união e da mobilização dos trabalhadores de Furnas. Diante da decisão pela paralisação de 72 horas a partir desta segunda (06), a Eletrobrás convocou reunião para o último dia 02 com os sindicatos e os representantes de Furnas e da Eletronuclear. Objetivo: buscar uma solução para a indenização do internível nas duas empresas.


Depois de muito debate, a Eletrobrás confirmou a autorização da direção da holding para que Furnas e Eletronuclear negociem diretamente com as entidades sindicais a referida indenização.


Para que isso ocorra, quatro condições foram estabelecidas: 1) a discussão do Internível não poderá estar vinculada às negociações dos ACTs (Nacional e Específico);  2) a indenização paga na Eletronorte não pode servir de parâmetro ou modelo; 3) as  condições econômicas e financeiras das empresas devem ser levadas em consideração durante as discussões; 4) o processo de mobilização em andamento (paralisação de 72 horas) deve ser suspenso.


Mobilização suspensa
Os sindicatos avaliaram que objetivo principal do Plano de Lutas foi alcançado e decidiram encaminhar para a deliberação em assembleias a suspensão das paralisações previstas para esta segunda, terça e quarta-feira (06 a 08 de julho).


Na base do Sinergia CUT, os trabalhadores de Furnas em Araraquara, Estreito, Itaberá e Campinas aprovaram o encaminhamento do Sindicato e agora aguardam as negociações. Um calendário de reuniões para estudar as alternativas para solucionar a indenização dos interníveis será traçado entre empresas e entidades sindicais.


A luta pela igualdade
A união e disposição de luta pela indenização referente ao internível tem motivo e história:


Por ocasião da criação da ‘Nova Eletrobrás’, gestores e técnicos asseguraram que as empresas do Grupo seriam tratadas de forma igual por uma política única. Isso possibilitaria a unificação dos procedimentos de gestão  e também os benefícios concedidos aos trabalhadores em todas as empresas do Sistema Eletrobrás.


O pessoal de Furnas também foi capaz de inaugurar o debate quanto à unificação dos procedimentos sobre a PLR no Sistema Eletrobrás. No entanto, no momento em que os trabalhadores de Furnas esperavam um reconhecimento com uma indenização pela redução do internível, conforme ocorreu na Eletronorte, foram surpreendidos por um tratamento desigual e injusto.


Jogo de empurra-empurra
A Eletrobrás dizia que caberia a Furnas a responsabilidade de resolver a situação. Furnas, por sua vez, afirmava que só poderia discutir o assunto com autorização da Eletrobrás. E foi esse descaso que moveu a companheirada a realizar, no dia 22 passado, a mobilização de 48 horas e a aprovar a paralisação de 72 horas. A pressão surtiu efeito positivo.


Acordo único
Vale lembrar que foi também diante da pressão exercida pelos trabalhadores que os negociadores apresentaram uma nova proposta de Acordo Nacional no dia 19 passado, mantendo as bases econômicas no nível dos anos anteriores. A luta por uma mesa única de negociação resultou na proposta de ACT único, fundamental para a nova gestão das distribuidoras. Essa conquista se refletiu também na negociação das cláusulas econômicas.


Entre outros itens, está garantido o reajuste salarial e de benefícios com aumento real. Haverá também o pagamento de um abono de R$ 2.000 fixos mais 7,5% da remuneração.

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