CUT Nacional faz balanço do mandato 2006-2009

30 julho 18:27 2009

Leia a primeira parte do texto com os principais momentos da gestão presidida pelo eletricitário Artur Henrique. O atual mandato termina no 10º CONCUT que elegerá nova Direção Nacional
 
Quando cortadores de cana, lideranças sindicais, governo federal e empresários do setor sucroalcoleiro, reunidos em Brasília no último 25 de junho, assinaram um acordo nacional que garante direitos para quem trabalha nos canaviais, registrava-se ali o desdobramento positivo de uma das frentes de luta da CUT em favor de um novo modelo de desenvolvimento que valorize os trabalhadores e trabalhadoras.


No caso dos cortadores de cana, uma luta muito antiga, que no período mais recente de nossa história incluiu mobilizações como a greve de 1984 em Guariba (SP). A partir de 2007, ano em que o governo Lula passou a defender o etanol como mola-mestra de uma nova matriz energética, a CUT e suas entidades no campo souberam aproveitar a conjuntura e a pressão comercial de países potencialmente importadores do produto para, então, forçar governo e empresários a ouvir e adotar nossas reivindicações e propostas.


 No ato de assinatura do documento, 92% das empresas brasileiras do setor aderiram ao compromisso. O texto, abrangente e detalhado, explicita uma série de regras que podem se tornar, de fato, instrumentos para combater de vez uma das mais duradouras chagas sociais brasileiras. Pela dimensão e importância do acordo e pela combinação de mobilização e capacidade de negociação demonstrada pela CUT, esse momento pode bem sintetizar o balanço do mandato 2006-2009.


Como vai exigir da CUT e de todos os sindicatos filiados um papel de intensa fiscalização e cobrança para ser cumprido, o acordo também simboliza os desafios que estão a nossa frente. Já sua sintonia com os princípios históricos da CUT pode servir como exemplo de coerência da Central e como prova que a luta toma longo tempo.


Representa também um ponto de conexão entre bandeiras de luta aparentemente sem ligação, mas que, na verdade, combinam-se no plano estratégico. O acordo dos cortadores de cana, oficialmente batizado de ‘Compromisso Nacional para Aperfeiçoar as Condições de Trabalho na Cana-de-Açúcar’, pode representar um embrião do contrato coletivo nacional, bandeira histórica e que foi reafirmada pela CUT em 3 de agosto de 2006, no lançamento da Campanha Unificada dos Trabalhadores.


Em tal aspecto, esse episódio soma-se à assinatura de um acordo nacional entre a CUT, suas entidades do ramo da construção civil, o governo federal e a representação patronal, que garante qualificação profissional e emprego com carteira assinada para mais de 1,3 milhões de operários do setor, em todo o país. A maior parte dos operários são selecionados a partir do cadastro do Bolsa-Família, e com isso o convênio tem também por objetivo proporcionar um futuro mais independente. Assinado no início de maio de 2008, o acordo vale para obras e projetos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e prevê que os cursos sejam ministrados nos locais e horários de trabalho.

  Categorias: