Aplausos no 10º CONCUT

10 agosto 17:01 2009

Central de Trabalhadores de Cuba recebe total solidariedade da CUT contra o bloqueio econômico


Ermela Garcia (CTC) e João FelícioA professora Ermela Garcia Santiago, do Secretariado Nacional da Central de Trabalhadores de Cuba, responsável pelas atividades de educação, técnica, cultura e esportes, falou ao Portal do Mundo do Trabalho sobre a exitosa experiência socialista, do significado transcendente da integração latino-americana, do apoio à vitoriosa luta contra o analfabetismo na Venezuela e na Bolívia e de como a pequena ilha do Caribe tem enfrentado a crise internacional ‘valorizando os salários, garantindo direitos e ampliando conquistas’. Ou seja, na contramão da lógica neoliberal, privatista e excludente.



Para o secretário de Relações Internacionais da CUT, João Antonio Felício, ‘a revolução cubana é um marco na história da América Latina e da Humanidade, representando forte estímulo a todos os povos que lutam pela sua soberania e independência’. ‘O desprendimento e a determinação do povo cubano, que tantas vezes pudemos comprovar, enfrentando com serenidade e altivez o criminoso bloqueio econômico, falam por si dos valores de uma sociedade que constrói o socialismo afirmando o papel da solidariedade e da consciência coletiva sobre os mesquinhos interesses dos cartéis e das transnacionais’, acrescentou Felício.


(Leonardo Wexell Severo)    


Confira abaixo a íntegra da entrevista da dirigente da CTC:


 
Em todos estes anos, a marca da revolução cubana tem sido a solidariedade. É sabido que Cuba tem mais médicos prestando solidariedade em todo o mundo do que as próprias estruturas da ONU. Fale um pouco sobre o apoio cubano também na área da educação, por meio das campanhas de alfabetização massivas.



Através do Ministério da Educação, nosso governo tem selecionado pessoas extremamente qualificadas e capacitadas para se somar a ações de alfabetização no Continente. Desta forma, os professores cubanos contribuíram solidariamente com a erradicação do analfabetismo na Venezuela e na Bolívia, por meio do método Yo Sí Puedo (Eu Sim Posso!). Posteriormente, também no Yo Sí Puedo Seguir. Nós dizemos que a solidariedade é compartilhar o que temos. Em Cuba não há sobra de recursos, mas temos compromissos com os que têm menos e que são, precisamente, os que mais necessitam.



Qual sua avaliação do Seminário Internacional Crise e Estratégias Sindicais e do próprio 10º CONCUT, que reuniu delegações de mais de 40 países de todos os Continentes?



Creio que foram iniciativas onde compartilharmos experiências e princípios de solidariedade, onde valorizamos enfoques comuns sobre a crise e reafirmamos visões de desenvolvimento. O importante é que identificamos contribuições que ampliam a compreensão da nossa capacidade de intervenção. O capitalismo tem muitas formas de reacomodação. Cada vez que surge uma crise, busca mecanismos para sobreviver, fórmulas que perpetuam a exploração e a exclusão. Nós queremos fortalecer uma outra visão de mundo.



Como vês a solidariedade dos brasileiros com o povo cubano?



Ao longo dos anos o Brasil tem sido solidário com Cuba, não apenas com palavras, mas compartilhando nossa luta, defendendo os nossos princípios. Isso é o mais relevante.



E a força da integração latino-americana neste momento?


 
É importante que nossas organizações estejam tendo uma unidade na abordagem dos problemas que nos afetam, pois tudo fica diferente quando os enfrentamos unidos. A posição latino-americana contra o golpe em Honduras, o rechaço unânime ao bloqueio econômico a Cuba, a luta pela libertação dos cinco patriotas cubanos presos nos Estados Unidos, o apoio e a solidariedade que recebemos contra os desastres naturais que atingiram nossa Ilha são exemplos que demonstram que, acima de tudo, nossa classe é solidária. Este apoio nos permite avançar com passos firmes no fortalecimento da unidade latino-americana.



Como os cubanos têm enfrentado a crise?



A crise para nós tem naturalmente uma repercussão econômica pesada, tendo a ver com a valorização ou diminuição de produtos em um país pequeno como o nosso, que tem a economia aberta, onde o mercado exterior tem uma influência direta. Vale lembrar também que o impacto da crise nos preços dos alimentos e dos combustíveis é potencializado pelo bloqueio, que condiciona e eleva os custos, que são altos. Mas, apesar de tudo isso, a política que seguimos é a de trabalhar mais, para produzir mais e ganhar mais. Temos ampliado a produção interna de alimentos e se multiplicam os empregos na área rural. Temos deslocado força de trabalho para os setores com mais potencial para seguir crescendo, ‘valorizando os salários, garantindo direitos e ampliando conquistas.



Além dos trabalhadores rurais, em que outros setores esta orientação está repercutindo positivamente?



Tivemos aumentos salariais recentes em vários ramos que aumentaram o salário na mesma proporção em que se incrementou o orçamento nacional. Há bem pouco tempo tivemos uma valorização dos salários dos professores e de sua carreira. No ano passado, os beneficiados foram os companheiros da área da produção e do sistema jurídico. É importante frisar que temos avançado apesar das conseqüências das catástrofes naturais que nos atingiram no ano passado [quando Cuba foi devastada por furacões e inundações].



A propriedade social, coletiva, eleva a classe a um patamar superior…
Claro. O fundamental é a consciência coletiva, o entendimento de que se não lograrmos produzir mais, não teremos mais, seja na produção ou nos serviços. A propriedade social é chave, ela potencializa a capacidade dos trabalhadores, que são donos dos meios de produção, que controlam o seu destino, que se entrelaça com os de toda a coletividade, com os do país.

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