Brasil deve ficar com 80% da energia de hidrelétricas do Peru

10 agosto 15:56 2009

Segundo Edison Lobão, estudos indicam construção de cinco usinas com potência da ordem de 6 mil MW e investimentos de até US$ 15 bilhões


O Brasil deverá receber cerca de 80% da energia que será produzida pelas hidrelétricas que serão construídas no Peru. Os projetos envolvem os governos dos dois países. De acordo com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, o Brasil ficará com a parte da energia que não será utilizada pelo país vizinho. ‘O Peru deverá consumir 20% do que será produzido pelas usinas e o restante virá para o Brasil’, afirmou Lobão, em intervalo de reunião interministerial Brasil-Peru, que acontece nesta sexta-feira, 7 de agosto, no Rio de Janeiro.


A primeira etapa dos estudos prevê a construção de cinco hidrelétricas que totalizam potência instalada da ordem de 6 mil MW. ‘Nessas usinas deverão ser gastos algo em torno de US$ 12 bilhões a US$ 15 bilhões, mas ainda não temos um número certo pois ainda estamos realizando os estudos’, estimou o ministro. Ele disse ainda que a previsão é de que as usinas possam estar concluídas em 2015.


Essas cinco hidrelétricas fazem parte da primeira etapa da integração, mas esse número, de acordo com o ministro, seria muito maior. ‘A idéia inicial era construir 15 hidrelétricas no Peru, com capacidade total de 20 mil MW, mas depois decidimos limitar em cinco. Quando essa primeira fase estiver concluída, veremos a necessidade de negociarmos a construção de outras hidrelétricas’, afirmou Lobão. Na ocasião da assinatura do acordo entre os dois países, no final de abril, o plano era para a construção de seis empreendimentos.


Os recursos para viabilizar as obras, segundo Lobão, poderão vir de construtoras interessadas, da Eletrobrás, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, e de outras fontes que venham a ser eleitas para isso. Lobão disse ainda que pelo acordo entre os dois países, ainda não fechado, a parte da energia que cabe ao Brasil poderá ser reexportada para outros países vizinhos. ‘Ficará a nosso critério se utilizaremos essa energia no país ou se exportaremos para os países vizinhos’, comentou.


Um consórcio formado pela Eletrobrás, Andrade Gutierrez, Odebrecht, OAS, e Engevix é o responsável pelos estudos das usinas e que os estudos de engenharia deverão estar concluídos até o final do ano. Para Lobão, a construção dessas usinas é importante porque garante segurança energética para o país e também a integração energética sul-americana. ‘Vamos construir essas usinas com o Peru, mas também pretendemos construir usinas com a Argentina’, disse.


‘O Peru está vendo o projeto com muita expectativa’, afirmou o ministro de Energia do Peru, Pedro Sanches. Para trazer essa energia para o Brasil, segundo Lobão, o plano é construir uma linha de transmissão ligando Porto Velho à fronteira com o Peru, cuja extensão é da ordem de 600 quilômetros. ‘A partir daí, o Peru assumiria a construção das LTs’, explicou.


(Carolina Medeiros, da Agência CanalEnergia, Mercado Livre)

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