Artur Henrique: ‘Um congresso vitorioso’

14 agosto 20:19 2009

Trabalhador da CPFL, formado em Sociologia pela PUC Campinas e fundador do Sinergia CUT , Artur ocupa a presidência da CUT desde junho de 2006, quando foi eleito pela primeira vez. Em entrevista exclusiva ao Jornal do Sinergia CUT,
ele analisa o 10o ConCut e os desafios que a nova direção assume no triênio 2009-2012



Qual é a avaliação que você faz do 10o ConCut?


Foi um congresso muito vitorioso, muito importante não só pela construção da chapa unitária, mas principalmente pelos debates em torno da estratégia da CUT para o próximo período. As alterações no estatuto vão fortalecer e diminuir a distância da nossa central sindical, principalmente da direção nacional para as CUTs estaduais e para os nossos ramos.



A ideia é fazer reuniões trimestrais com essa direção que foi eleita aqui,  que representa o conjunto de todo o Brasil, onde no primeiro dia a gente possa ter informações como quantas campanhas, quais são os principais problemas, principais avanços das CUTs estaduais.  No segundo dia, a mesma coisa em relação aos ramos e finalmente no terceiro dia, um debate em cada uma dessas reuniões sobre nossa ação sindical para ser levada para cada canto desse país.
Então, acho que essa mudança estatutária tem muito a ver com essa preocupação com a unidade e fortalecimento da nossa Central.



E quais seriam os desafios para este triênio?



Primeiro, com certeza a defesa do emprego, da renda e dos direitos como alguns dos elementos principais de enfrentamento dessa crise. Segundo, o que estamos chamando de pós-crise, ou seja, o debate a respeito do modelo que queremos de desenvolvimento para o nosso país, que tenha a valorização do trabalho, a questão da sustentabilidade ambiental como uma das principais tarefas e um dos principais mecanismos para esse modelo de desenvolvimento. Além disso, o desafio de construir coletivamente a plataforma da classe trabalhadora para as eleições de 2010, que é um dos momentos mais importantes que vamos ter no próximo período.



Com relação à nova composição da CUT, o que muda com a saída de algumas correntes?



Primeiro que algumas correntes que saíram  não avaliavam que a gente conseguiria fazer um congresso tão expressivo, tão representativo. Nos estamos com 2.461 delegados, que é o mesmo número de delegados que existiam no último congresso, há três anos. Demonstrando que mesmo com saída desses companheiros, que a gente espera que eles retornem, pois  estamos de braços abertos querendo que eles voltem, não diminuiu o número de associados porque nós ganhamos outros sindicatos para a CUT. Hoje a gente tem um congresso com a mesma proporcionalidade de três anos atrás,  um congresso com o mesmo numero de delegados, um para cada 1.500. Então isso é fundamental para nós, para a construção da CUT. Continuamos sendo a principal central sindical do Brasil, a maior central sindical do Brasil, com 39% de representatividade. A segunda central é a Força com 13%. Então temos muito orgulho de sermos CUT. Somos fortes, somos CUT.


Em quais setores a CUT cresceu?


A CUT cresceu principalmente trazendo novos sindicatos para nossa Central e retomando sindicatos que não tinham saído da CUT, mas que haviam ficado sem condições de participar de nossas plenárias porque não estavam pagando as mensalidades, não estavam quites com a Central. Nós fizemos um grande esforço nesses três anos, trouxemos esses sindicatos para dentro. Hoje, para você ter uma idéia, nós temos 78% das entidades sindicais filiadas quites com nossa Central sindical. Portanto, nós crescemos principalmente nos sindicatos de municipais, rurais e comércio e serviços, que são três áreas que estão crescendo muito e ampliando  muito a representação da CUT.
Você vem de um sindicato que é o exemplo na prática da liberdade e autonomia sindical. O Brasil está avançando neste sentido?
Nós temos o orgulho muito grande de sermos o primeiro sindicato que acabou com o imposto sindical, o Sindicato dos Eletricitários de Campinas, depois um sindicato que se juntou com o Sindicato dos Gasistas para construir esse exemplo de liberdade e autonomia, que é o Sinergia CUT.



Espero que a gente consiga avançar na mudança da estrutura sindical no Brasil, que infelizmente nós  ainda continuamos  a ter uma estrutura sindical muito conservadora desde a época de Getúlio Vargas.
Portanto, ainda não temos grandes avanços nessa área da liberdade e autonomia porque a legislação continua sendo uma legislação que impõe  unicidade sindical, não decidida pelos próprios trabalhadores. E é por isso que a gente defende a Convenção 87, liberdade e autonomia e o fim do imposto compulsório.

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