10° ConCUT é tema de Especial na TV Aberta de São Paulo

20 agosto 18:50 2009

Na noite desta quarta-feira (19), o Câmera Aberta Sindical, programa apresentado pelo jornalista João Franzin na TV Aberta de São Paulo, dedicou espaço especial e nobre de uma hora ao 10º Congresso Nacional da Central Única dos Trabalhadores, entrevistando ao vivo três dirigentes da entidade: Denise Motta Dau, secretária de Relações do Trabalho; Expedito Solaney, secretário de Políticas Sociais e Rosane Bertotti, secretária de Comunicação.


Entre os fatos mais importantes que marcaram o Congresso, citou Denise, foi o evento ter sido aberto pelo debate sobre desenvolvimento sustentável com a professora Tânia Bacelar e a senadora Marina Silva. ‘Foi um enfoque não corporativo, onde se mostrou qual o projeto de desenvolvimento a ser defendido pela classe trabalhadora, que passa pela distribuição de renda, por políticas públicas inclusivas, garantia de emprego, preservação do meio ambiente’, esclareceu.


A secretária nacional de Relações do Trabalho lembrou da importante retomada no 10º CONCUT de uma campanha de 1995 pela cidadania com a luta pela igualdade de oportunidades na  vida, no trabalho e no movimento sindical, destacando a defesa da legalização do aborto e de políticas em apoio integral à saúde da mulher. ‘Infelizmente, o movimento sindical ainda reproduz uma cultura discriminatória e machista’, salientou Denise, lembrando ao mesmo tempo os avanços registrados no Congresso da Central, com a participação de 40% de mulheres na direção da entidade.


PAPEL DO ESTADO  –  O secretário nacional de Políticas Sociais falou do significado de uma central do porte da CUT, ‘a maior do Brasil e a quinta maior do mundo’ realizar um debate amplo e democrático sobre a Plataforma da Classe Trabalhadora, que se articula com a defesa do papel do Estado e do aprofundamento da democracia em nossa sociedade. ‘Alimentados pela pluralidade e riqueza de contribuições, reafirmamos nossa defesa de um novo modelo com valorização do trabalho, distribuição de renda, com redução da jornada sem redução de salário’, enfatizou Solaney, resgatando a necessidade de fortalecer a articulação com os movimentos sociais para consolidar um bloco histórico de luta por mudanças que apontem para a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e socialista.


LIVRO SOBRE A TERCEIRIZAÇÃO –  Durante o programa foi apresentado o livro ‘Terceirização no Brasil – Do discurso da inovação à precarização do trabalho’, de autoria de Denise Motta Dau, do professor de Sociologia da USP, Iran Jáome Rodrigues e do secretário de Desenvolvimento de São Bernardo, Jefferson José da Conceição. A obra, que será lançada no próximo dia 9, às 18h30, na livraria Martins Fontes, une o acúmulo dos Ramos cutistas no enfrentamento à terceirização com a análise crítica de docentes sobre o tema, servindo de reflexão e guia para a ação do movimento sindical brasileiro.


DISPUTA DE PROJETOS – Na avaliação da secretária nacional de Comunicação da CUT, o 10º CONCUT foi marcado por dois grandes eixos: o projeto de desenvolvimento e o organizativo, que descortinaram novos horizontes para o próximo triênio. ‘Não temos como discutir projeto de desenvolvimento sem controle público, sem participação social, sem debater a democratização dos meios de comunicação. Esta é uma questão estratégica na disputa de hegemonia. Entendemos a comunicação como um direito e os congressos estaduais que antecederam o CONCUT apontaram para uma plataforma articulada com as demais centrais sindicais e movimentos sociais, ampliando a pressão por um novo marco regulatório para o setor’, declarou Rosane Bertotti.  A conformação de parcerias, como a estabelecida com a TV Aberta de São Paulo, ressaltou, é essencial para que a democratização de comunicação seja cada vez mais uma realidade. Resgatando Gramsci, Rosane lembrou que muitas vezes os trabalhadores acabam financiando uma imprensa que luta contra os seus próprios interesses e que há a necessidade de conformar uma rede de comunicação para fazer a disputa. ‘Nós estamos investindo na estruturação de uma rede da CUT. Temos a Rede Brasil Atual, que reúne a Revista do Brasil, Portal e Rádio Web. Temos o Portal do Mundo do Trabalho, http://www.cut.org.br/ e o Jornal da CUT, que são instrumentos que se somam. Nossa compreensão é a seguinte: se queremos ter base social organizada, precisamos de instrumentos estratégicos para o embate político e ideológico’, enfatizou.


Durante o programa foram exibidas cenas e entrevistas de dirigentes de diferentes centrais sindicais na mobilização do dia 14 de agosto, que teve como centro a defesa da soberania, do pré-sal, dos empregos, salários e direitos e da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salário. Os três dirigentes cutistas fizeram comentários sobre o significado da Jornada Nacional Unificada de Lutas e também responderam a inúmeras perguntas dos telespectadores.


DEMOCRACIA NO AR –  Autor do livro ‘Imprensa Sindical, Comunicação que organiza’, João Franzin mantém o programa no ar há cerca de seis anos, sendo uma referência na luta pela democratização da comunicação e do papel protagonista das emissoras de rádio e televisão comunitárias que, infelizmente, continuam relegadas a segundo plano pelo Estado brasileiro. Para Rosane Bertotti, ‘enquanto a Conferência Nacional de Comunicação não vem e as concessões públicas continuam sendo tratadas como capitanias hereditárias, exemplos como o de Franzin e do Câmera Aberta Sindical representam forte alento e estímulo para a luta, merecendo mais do que nosso aplauso, nosso total apoio’.  

  Categorias: