AES e Duke veem térmicas a gás como única alternativa

24 agosto 13:09 2009

Britaldo Soares, presidente da AES, diz que investimento é de R$ 2 bilhões


Os projetos apresentados ao governo estadual pela AES e Duke Energy para cumprir a expansão de seus parques geradores em São Paulo, como obriga o edital de privatização, estão ainda em fase inicial de estudos e implicam em uma série de empecilhos que precisam ser superados antes de os investimentos se concretizarem. Os aportes estimados podem chegar a R$ 4 bilhões, para a instalação de 722 megawatts (MW). A única alternativa, proposta pelas duas companhias, com capacidade suficiente para cumprir a exigência, é de termelétricas movidas a gás natural.


Mas para se tornarem viáveis, segundo as duas empresas, é preciso que uma série de condições sejam atendidas para que as usinas tenham competitividade. Isso porque elas precisam concorrer nos leilões de energia nova do governo federal e só podem ser erguidas se saírem vencedoras. Para isso é preciso que a Petrobras assegure o fornecimento de gás, que os gasodutos tenham a capacidade suficiente para transportar esse gás e ainda que o governo estadual conceda benefícios fiscais. Tais benefícios seriam necessários pelo fato de outros estados hoje concederem isenção de ICMS para atraírem essas usinas.


O presidente da AES no Brasil, Britaldo Soares, estima que a AES Tietê tenha que investir cerca de R$ 2 bilhões para cumprir a expansão de 15% de seu parque gerador. No plano apresentado ao governo, no mês passado, estão algumas pequenas centrais hidrelétricas, mas que juntas somam apenas 37 MW. Duas dessas PCHs, que juntas somam 7 MW, já foram construídas. Soares diz, entretanto, que não há mais grandes potenciais hidrelétricos no Estado de São Paulo, mesmo para pequenas centrais, por isso, a empresa está analisando a construção de uma termelétrica.


Os estudos dessa usina que teria uma capacidade instalada de 500 MW estão ainda na fase de viabilidade econômica e se iniciaram há apenas quatro meses. O projeto não tem sequer licença ambiental. A Duke Energy também vai propor a construção de uma termelétrica, mas os estudos estão mais avançados. Até porque a empresa apenas retomou o projeto de Pederneiras, que já tinha recebido a licença ambiental no início dos anos 2000. Mas todos os outros empecilhos citados anteriormente ainda precisam ser superados.


O diretor de assuntos regulatórios da Duke, José Roberto Chaves, diz que a empresa já está até em conversas com a Petrobras para verificar a disponibilidade de gás. Mas para definir a capacidade instalada da usina precisa também que a Gas Brasiliano, que atende a área de Pederneiras, tenha capacidade de distribuição no gasoduto. No plano apresentado ao governo de São Paulo, pela Duke, também constam ainda duas pequenas centrais hidrelétricas com capacidade de 32 MW e com investimentos de R$ 200 milhões. Essa capacidade representa 10% do total da exigência atribuída à Duke.


As empresas tiveram de informar oficialmente ao governo estadual os planos ou projetos já em andamento para atender o edital de privatização. Elas foram notificadas judicialmente pela procuradoria geral do Estado. Em sua resposta, a Duke lembrou ao governo que não está em mora porque o novo modelo do setor inviabilizou qualquer tentativa de se cumprir o edital de privatização, que previa a expansão até 2008. (Josette Goulart)



 

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