Elétricas ganham aval para oferecer internet

26 agosto 09:56 2009

Aneel aprova utilização da rede de energia para tráfego do sinal de internet e TV paga a ser comercializado pelas distribuidoras. Concessionárias terão de pedir licença à Anatel para operar telecomunicações; AES Eletropaulo, Copel e Cemig já têm interesse


A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou ontem a utilização do PLC (Power Line Communications), uma tecnologia que permite a transmissão do sinal da internet em alta velocidade pelos fios por onde passa a energia. Essa tecnologia também permite a oferta de TV paga.


Para vender acesso à internet pela rede elétrica, as distribuidoras terão de abrir uma subsidiária de telecomunicações. Isso porque, pela regulamentação do setor elétrico, as concessionárias não podem gerar receita a não ser pelo fornecimento de energia. Ainda que gerassem, teriam de repassá-la integralmente para abater no preço da tarifa de energia.


Para escapar, elas terão de pedir licença à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para prestar serviços de telecomunicações. Espera-se, portanto, uma proliferação das ‘telelétricas’. A Folha apurou que há pelo menos uma dezena de pedidos de licença na Anatel. AES Eletropaulo, Copel e Cemig já atuam nesse ramo e esperavam o aval da Aneel para lançar o PLC em larga escala. Para as teles tradicionais, essa tecnologia pode ser uma alternativa para reduzir seus investimentos.


Motivo: a partir de agora, abre-se caminho para que elas aluguem infraestrutura das ‘telelétricas’, hoje presente em 98% dos domicílios. Atualmente, as teles investem para levar suas redes à sede de todos os municípios brasileiros, uma meta imposta pela Anatel e que deve ser cumprida até 2010. Para essas operadoras, levar essa rede a todos as cidades do país é um problema, porque elas têm interesse comercial em 62% dessas localidades. Por isso, a tecnologia PLC surge como alternativa.


Para o consumidor
Com o PLC, o consumidor poderá ter a internet banda larga diretamente na tomada de sua residência. Nela, bastará instalar um equipamento fornecido pelas ‘telelétricas’, que vai separar o sinal elétrico do sinal da internet.


Esse equipamento também espalhará o sinal da internet pela residência do assinante, permitindo conexões sem fio por meio de notebooks ou smartphones (celulares que se conectam à internet).


A exemplo do consumo de energia, cobrado pelo uso, o consumidor pagará apenas pelo tanto de internet que acessar. Estima-se que o preço da internet via PLC será 50% menor que os pacotes das teles convencionais, e a velocidade média garantida até dez vezes maior, cerca de 10 Mbps.


O uso da tecnologia deve beneficiar principalmente locais onde a internet de alta velocidade ainda não chega -pois as redes de energia elétrica estão em quase todo o país.


Futuramente, as distribuidoras de energia também planejam trocar os atuais medidores de energia nas residências por outros ‘inteligentes’. Quando isso ocorrer, elas poderão monitorar o gasto de todos os equipamentos de seus clientes, como os eletrodomésticos, para recomendar consertos e até programar tarifas especiais para quem economizar em determinados horários. Para o cliente será possível até desligar uma lâmpada via internet.

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