CPI da Aneel: Sauer cobra investigação de excedente transferido para compradores livres

31 agosto 15:53 2009

Estudo aponta lucros de até 103% obtidos pelas distribuidoras sobre seus patrimônios líquidos entre 2007 e 2008


O coordenador do Programa de Pós-Graduação em Energia da Universidade de São Paulo (USP), Ildo Luís Sauer, afirmou que o excedente econômico transferido das geradoras para os compradores livres com as vendas abaixo do custo, desde 2003, foi de cerca de R$ 15 bilhões. Sauer, que participou na semana passada de audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito das Tarifas de Energia Elétrica, defendeu que esse ponto seja investigado pela CPI, já que essa conta é paga por todos os consumidores.”Isso é o que a CPI tem de investigar, pois esses dados não estão disponíveis”, finalizou.


Na ocasião, o professor apresentou um estudo que aponta lucros de até 103% obtidos pelas distribuidoras sobre seus patrimônios líquidos entre 2007 e 2008. Em média, segundo o cálculo, a rentabilidade das empresas do setor ficou em 26% no período, contra 8% das geradoras, na sua maioria estatais.


A reunião contou também com estudo do consultor na área de energia Roberto D Araújo que compara as tarifas de energia praticadas no Brasil, no Canadá e nos Estados Unidos. Segundo ele, as tarifas brasileiras são superiores às canadenses, onde o modelo é semelhante ao nacional, baseado em hidrelétricas. Desconsiderados impostos e encargos, os preços brasileiros ficam, em média, em R$ 322 o MWh, contra um pouco mais de R$ 200/MWh no Canadá.


Entre os especialistas, a origem dos problemas do setor está relacionada ao modelo adotado no Brasil, que se originou na época das privatizações, mas teve as suas principais características mantidas pelo atual governo. O coordenador do Programa de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa, lembrou que, para viabilizar a privatização, houve uma decisão governamental de diminuir a participação das hidrelétricas no mercado nacional. Segundo ele, estimular a concorrência entre hidrelétricas ”é dificílimo”. ”A ideia, então, foi diminuir sua participação no mercado para permitir a privatização”, acrescentou.



 

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