Distribuidoras reagem à proposta de medidor digital

17 setembro 15:18 2009

Substituição de medidores proposta pela Aneel permite o gerenciamento do consumo por usuários e empresas


As distribuidoras de energia do país estão contrárias à iniciativa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de colocar em audiência pública no mês que vem a substituição dos medidores de energia por outros ‘inteligentes’, com funcionalidades que permitam o gerenciamento do consumo por usuários e empresas. Atualmente, os medidores utilizados em novas residências ou em substituição aos analógicos são digitais, mas não têm tais funcionalidades. O monitoramento pelo consumidor será possivel ao combinar o uso do medidor digital com uma tecnologia remota de dados. Segundo a Aneel, a troca traria economia para as empresas pois deixaria a rede mais eficiente no gerenciamento da carga de energia, reduzindo até a necessidade de investimentos.


Na avaliação do diretor técnico e regulatório da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Fernando Maia, é preciso prazo maior para colocar o assunto em audiência. ‘As empresas precisam de tempo para traçar um plano de uma rede inteligente própria. A experiência mundial mostra que simplesmente trocar não se justifica economicamente, é um investimento elevado nos novos medidores e na rede.’


O diretor da Abradee questionou a recente regulamentação da internet pela rede elétrica ou Power Line Communications (PLC, na sigla em inglês) que impede que a distribuidora explore os serviços de dados. A distribuidora é obrigada a alugar a rede a uma empresa de telecomunicações, pois, no entender da Aneel, trata-se de serviço que não está contemplado no contrato de concessão. Para o diretor da Abradee, a rede PLC não vai comportar a rede própria necessária e os serviços oferecidos pela empresa de telecomunicações. ‘Como a nossa operação vai depender de um terceiro que vai operar na nossa rede para outros fins? Na nossa percepção, o PLC é inerente da concessão de energia se o uso for destinado à automação da rede de energia’, afirmou.


Segundo a Aneel, a tecnologia utilizada para gerenciar a rede pode ser outra, além da PLC, como rádio ou celular, mas na avaliação das distribuidoras, é preciso que a implementação da rede de comunicação e a troca de medidores ocorram ao mesmo tempo.


O segundo passo da agência, após a implementação gradual dos novos medidores, será a adoção de tarifas diferenciadas de acordo com os horários de maior ou menor uso, como já ocorre nas telefonia fixa. ‘Mesmo que tenha o faturamento para pagar a cada 30 dias, o consumidor vai saber como o consumo está mudando a cada dia’, diz a diretora da Aneel Joísa Campanher. Ela, contudo, diz que o plano de troca de medidores não vai criar problemas para as empresas. ‘Precisamos garantir que essa solução não coloque a concessionária em desequilíbrio. Se a concessionária puder gerenciar a sua carga, é possível que ela possa adiar investimentos e otimizar a sua rede’, afirmou.


Maia, da Abradee, diz, por exemplo, que a troca de um medidor comum por um ‘inteligente’ significa um gasto oito vezes maior, o que pode causar aumento de tarifa se não houver planejamento prévio. ‘É preciso um planejamento maior do governo, o objetivo é ter tarifa mais barata e serviço melhor. Caso contrário, é melhor deixar do jeito que está. Não queremos mexer só para dizer que é moderno’, afirmou o diretor da Abradee.



(Ana Paula Grabois)

  Categorias: