Rede elétrica caminha para ser inteligente

21 setembro 17:33 2009

Serviço vai demorar ao menos três anos para decolar no Brasil, afirma ministro


A tecnologia de acesso à internet rápida pela tomada, que teve o regulamento aprovado no mês passado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), é somente o primeiro passo de uma revolução que nasce do encontro dos setores de energia, telecomunicações e informática. A rede elétrica está prestes a se tornar mais inteligente, numa tendência chamada smart grid. Nos Estados Unidos, o governo Barack Obama destinou US$ 5 bilhões para projetos nessa área.


No entanto, a banda larga pela tomada não tem conquistado destaque no mercado americano. As distribuidoras de energia viram na tecnologia, chamada de Powerline Communications (PLC) ou Broadband Over Power Lines (BPL), uma solução voltada mais para áreas rurais.


‘É uma ótima opção, apesar de o mercado não a ter abraçado’, disse Meredith Baker, integrante da Federal Communications Commission (FCC), a agência reguladora de comunicações do EUA. Segundo ela, isso se deve mais a uma posição conservadora das distribuidoras americanas de eletricidade do que a problemas com a tecnologia, que tem preço e performance comparáveis ao ADSL (que usa os fios telefônicos comuns) ou cabo. ‘Ela é muito competitiva.’


Nem todos compartilham desse entusiasmo. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, afirmou que a tecnologia ainda vai demorar três ou quatro anos para decolar no País. John O´arrell, vice-presidente da Silver Spring Networks, disse que as distribuidoras dos EUA testaram e desistiram por causa do custo e de interferências.


Nicolas Maheroudis, diretor de Projetos de BPL da empresa Eletropaulo Telecom, explicou que a empresa encontrou poucos problemas de interferências nos testes que fez. Desde novembro, tem o sistema instalado em 300 prédios em bairros de São Paulo.


Os testes incluíram 150 apartamentos, e a velocidade do acesso chega a 10 megabits por segundo (Mbps). Agora, a Eletropaulo Telecom negocia com operadoras que queiram usar a sua rede para prestar o serviço de banda larga. ‘O terminal ainda é um pouco caro, R$ 300, comparado a R$ 80 do ADSL’, disse Maheroudis. ‘Mas, com aumento da escala e fabricação local, esse preço deve cair.’


Para Elton Tiepolo, executivo de Utilities da IBM Brasil, a banda larga via energia elétrica se aplica bem a dois extremos: edifícios com grande concentração de pessoas, onde é difícil passar cabos, e áreas rurais, onde outras redes não chegam.


O BPL é só o começo. A rede elétrica inteligente tem um potencial muito grande. As distribuidoras poderão, por exemplo, oferecer pacotes diferenciados, com desconto fora do horário de pico, ou até planos pré-pagos.


‘No Brasil, dispositivos como medidores eletrônicos podem reduzir muito a fraude’, disse o professor Antonio Marcos Ferraz de Campos, do Mackenzie.

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