Segundo dia da Colegiada é marcado por debates

17 outubro 13:21 2009

Terceirizações, desafios e organização dos trabalhadores foram os temas discutidos nesta sexta (16)


No segundo dia de atividades da 3a Reunião Colegiada Ampliada do Sinergia CUT, os participantes conheceram  a forma de organização e mobilização dos bancários. O Secretário Geral da Contraf  – Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, Marcel Juviniano Barros, explicou que a mobilização dos trabalhadores fortaleceu-se depois que os cadernos de teses foram deixados de lado e foi adotado o sistema de conferências regionais para colher os anseios dos trabalhadores do setor financeiro.  


Em seguida, os diretores do Sinergia CUT Jesus Francisco Garcia e Marcelo Fiorio falarma sobre a organização dos trabalhadores nas instâncias do Sinergia CUT e da FNU. Diversos diretores apontaram em suas intervenções preocupações quanto às estratégias de fortalecimento do projeto Sinergia CUT.


Terceirização
A programação do período da tarde contou com a participação do professor Dari Krein, diretor adjunto do CESIT-Unicamp, que fez uma exposição sobre o crescente quadro da terceirização no Brasil. Segundo dados apresentados pelo professor, 91% das empresas terceirizam para reduzir custos. O cenário é de grande rotatividade dos trabalhadores: 83% permanecem menos de um ano na empresa, causando um grande impacto na sociedade. ‘Há uma conivência por parte dos trabalhadores porque de imediato eles recebem mais, mas sem os direitos e benefícios. Como pessoa jurídica, é o trabalhador quem vai ser responsável pelo pagamento dos impostos. É estabelecida uma aliança que é extremamente danosa para o conjunto da sociedade porque haverá queda no recolhimento de impostos. Ou seja, o governo terá menos recursos financeiros, prejudicando a prestação serviços públicos, como saúde e educação’.


O professor destacou que a terceirização divide a categoria e que a única forma de combatê-la é unificando a atuação de todos os ramos para combater este processo ‘Só  se resolve o problema de terceirização se houver um marco econômico político e regulatório mais favorável. Isto exige uma ação integrada com trabalhadores de diversos segmentos e uma discussão mais geral sobre como estamos conduzindo o modelo econômico.’


A falta de regulamentação das terceirizações é um fator que faz com que prevaleça a lógica neoliberal de precarização das relações de trabalho, favorecendo o interesse das empresas que é exclusivamente reduzir custos para ampliar sua competitividade e atuação no mercado. As diferentes propostas de projetos de leis sobre a terceirização são um reflexo da disputa que existe sobre essa questão, e que exige da sociedade uma maneira mais ampla de pensar a economia e o trabalho. Dari Krein acredita que o momento é favorável para se estabelecer coorrelação de forças para fazer com que a terceirização seja combatida.


Por que as empresas precarizam tanto? A resposta é objetiva: porque o crime compensa. ‘No Brasil, a maioria das empresas não são fiscalizadas, ou quando o trabalhador vai à Justiça, o acordo muitas vezes é vantajoso para a empresa. Se o trabalhador se nega a fechar acordo, a empresa sabe que no final não será multada, não será criminalizada. A terceirização só vai acabar se houver fiscalização, se os sindicatos tiverem poder para fazer com que os direitos sejam efetivados em uma ação coordenada junto com o estado’, defende o professor.

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