Oferta de ações de acionista da Elektro barra planos da CPFL

26 outubro 18:34 2009

Energia: Negociação foi interrompida depois que a AEI decidiu levar adiante emissão de US$ 800 milhões



Adquirir a Elektro, empresa de distribuição de energia que atua em 223
cidades paulistanas, a maior parte delas na extensão de sua própria área de concessão, era o sonho da CPFL Energia pela sinergia que o negócio lhe traria e a posição líder de mercado que passaria a ocupar. Mas há cerca de um mês, quando achou que estava prestes a fechar negócio, a CPFL foi surpreendida com a ordem de suspensão das negociações vinda do acionista da Elektro, Ashmore Energy International (AEI). Com sede nas Ilhas Cayman, ela tem ativos de infraestrutura em países emergentes e é dona de 99,7% do capital da distribuidora brasileira.


O motivo ficou claro na semana passada, quando a AEI decidiu levar adiante seu plano de emissão de ações no mercado americano. O prospecto foi entregue à comissão de valores mobiliários americana, a SEC, em agosto, mas foi somente no dia 14 deste mês que ela marcou a data para sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) na Bolsa de Nova York. Será na próxima segunda-feira, dia 26.


A expectativa é de uma captação de recursos entre US$ 700 milhões e US$ 800 milhões. Este será uma das maiores ofertas no mercado americano neste ano, segundo a agência de notícias DowJones Newswire. Se a oferta for um sucesso de público, dificilmente uma empresa com tanto recurso novo em caixa se desfaria de um de seus principais ativos. A Elektro é hoje a maior empresa de distribuição sob o guarda-chuva da Ashmore. Sem contar, que os novos acionistas que vão comprar o papel estarão comprando o investimento brasileiro, tão em voga hoje entre os investidores. Desta forma, o sonho da CPFL será adiado por tempo indeterminado na visão de analistas do setor ouvidos pelo Valor. Procuradas, as duas empresas não quiseram se pronunciar.


A AEI começou suas atividades como um fundo de participações administrado por uma empresa de gestão de recursos londrina também chamada Ashmore. Em 2006, entrou na operação a Prisma Energy International, uma empresa sobrevivente do falido grupo Enron. A Prisma mudou então seu nome para Ashmore Energy International. Hoje, ela tem ainda como sócio um fundo de private equity do governo de Cingapura, que detém 23% do capital da AEI.


A empresa opera em 19 países sendo que os ativos brasileiros representaram 36% do lucro antes dos impostos, juros, depreciação e amortização (lajida) da AEI em 2008. É o maior negócio do grupo. Em segundo lugar, vem a operação colombiana. No Brasil, a Ashmore tem ainda uma termelétrica (a EPE) e empresas de transporte e distribuição de gás natural (Cuiabá GOM, Cuiabá TBS e TBG). A área de distribuição representa 51% do portfólio da AEI, que tem ainda distribuidoras no Peru, Argentina, Chile, El Salvador, Panamá.


A Elektro era cobiçada por diversas empresas brasileiras que querem
consolidar suas operações. Com sua saída do páreo, mais uma vez os grandes grupos vão se deparar com a dificuldade de fazer aquisições e fazer acontecer a famigerada consolidação do setor de distribuição no país.


O Brasil possui hoje 64 empresas distribuidoras. A maior parte delas ainda continua na mão dos diversos governos, seja estadual, municipal ou federal.


Assim são poucos os ativos à venda. Um deles seria a Rede Energia, mas os donos da companhia tem conseguido tocar seus negócios, apesar da dívida elevada, com a ajuda do governo federal que, por meio da Eletrobrás , estuda entrar em algumas empresas do grupo. Ainda se espera que grupos estrangeiros vendam suas distribuidoras no Nordeste. Mas, passado o pior da crise, alguns analistas creem que esse processo possa se arrastar mais.


(Josette Goulart, 22 de outubro)

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