Elétricas já aceitam ressarcir consumidor

30 outubro 16:24 2009

Concessionárias recuam e prometem em CPI do setor negociar mudança em contratos; erro pode ter custado R$ 10 bi a consumidores


As grandes distribuidoras do país admitiram ontem na CPI das Tarifas de Energia Elétrica, em Brasília, a devolução dos recursos cobrados a mais dos consumidores brasileiros em razão de um erro na metodologia de cálculo anual dos reajustes tarifários. A falha foi revelada pela Folha no último dia 18.



Além disso, as empresas assumiram o compromisso de discutir com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) ajustes legais na legislação do setor para eliminar a distorção já nos próximos reajustes.


O valor total de recursos que serão devolvidos ainda não foi calculado, mas o TCU (Tribunal de Contas da União) estimou em R$ 1 bilhão por ano a transferência de valores dos consumidores para o caixa das distribuidoras. Segundo especialistas, a cifra pode superar os R$ 10 bilhões.


A expectativa dos órgãos de defesa do consumidor é que a devolução ocorra por meio de compensação dos valores devidos nos futuros reajustes das tarifas de energia.


A nova posição das distribuidoras é um recuo. A Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica) chegou a publicar anúncio nos jornais dizendo que não havia nenhuma cobrança adicional decorrente de brecha no contrato de concessão.


Ontem, o diretor-presidente da Cemig (Centrais Elétricas de Minas Gerais), Djalma Bastos de Morais, reconheceu a cobrança indevida e anunciou a nova posição do setor. ‘Nós vamos verificar o que houve no passado, de 2002 para cá. As empresas vão somar esse passivo e ver o formato que o órgão regulador e o ministério vão propor para a devolução [dos valores] ao consumidor’, afirmou Morais na CPI.



Marcelo Maia de Azevedo Corrêa, diretor-presidente da Neoenergia, empresa responsável pelo abastecimento de 40 milhões de consumidores no Nordeste, a maior base de clientes de uma empresa do setor no país, também admitiu negociar a devolução de recursos e ajustes nos contratos para acabar com a distorção, embora tenha ressaltado que parte dos valores recebidos a mais foi investida na empresa.
‘Vamos discutir com a agência reguladora, com segurança jurídica, os aditivos [para ajuste dos contratos]’, afirmou Azevedo Corrêa.


O diretor-presidente do Grupo AES, que controla a Eletropaulo (de São Paulo) e a AES Sul (do Rio Grande do Sul), Britaldo Soares, fez coro com os colegas na CPI e anunciou que também vai negociar com a Aneel a mudança no contrato de concessão para encerrar a cobrança indevida. A empresa tem 16 milhões de consumidores, entre os quais os moradores da Grande São Paulo.


A reportagem tentou ouvir a Abradee sobre a mudança de posição das grandes distribuidoras, mas não obteve retorno.


Agnaldo Brito

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