Endividado, grupo Rede busca saídas para sobreviver

09 novembro 16:11 2009

Na semana passada, o conselho de administração divulgou a contratação de um empréstimo de R$ 450 milhões com o BNDES



Em meio a dívidas que chegam a cerca de R$ 5 bilhões, a um passivo que se eleva a quase R$ 9 bilhões se considerada outras obrigações e a índices de qualidade medidos pela Aneel entre os piores do país, os donos da Rede Energia vêm desde o ano passado tentando driblar a crise que vivem e assim evitar a venda de qualquer um de seus ativos. Interessados em comprar algumas distribuidoras do grupo não faltam, mas a Rede vem se mantendo sob o controle da família Queiroz com a ajuda da conjunção de alguns fatores.


As despesas financeiras da companhia reduziram com a valorização do real frente ao dólar, equilibrando um pouco as contas da companhia. Na semana passada, o conselho de administração divulgou a contratação de um empréstimo de R$ 450 milhões com o BNDES. Uma emissão de debêntures no valor de R$ 370 milhões está à caminho. A Eletrobrás vem negociando uma forma de entrar na Celpa, a distribuidora que está em maior dificuldade no grupo. E no terceiro trimestre deste ano, pela primeira vez e mais de um ano a companhia registrou lucro trimestral. Mesmo assim, ainda acumula um prejuízo de R$ 55 milhões no ano.


Em 2008, na época em que as empresas de energia em geral registravam lucros fortes, a Rede foi uma das poucas do setor com fortes prejuízos. Foi nessa época que grandes grupos do setor começaram a olhar com mais atenção os ativos da Rede. Mas como lembra o membro do conselho de administração de uma destas interessadas, cada vez que alguma negociação ia adiante, uma ação do governo dava um pouco mais de fôlego à companhia.


A Celpa, que é a empresa de distribuição do Pará, era um dos alvos preferidos da Equatorial Energia. A empresa que pertence a um fundo de investimentos formado por ex-donos do Banco Pactual é dona hoje da Cemar, vizinha à Celpa, e tinha interesse na empresa do Pará justamente pelas dificuldades financeiras e também pela sinergia entre as duas companhias. Os problemas da Celpa são muito parecidos com os vividos pela Cemar na época. A companhia de distribuição do Maranhão era uma das companhias com os piores índices de qualidade da Aneel. Sob nova administração, aos poucos a companhia se aproxima da média brasileira destes índices.


Um importante técnico da agência que não quis se identificar diz que os índices de qualidade são fortes indicadores das dificuldades que as empresas de distribuição vivem. Os chamados DEC e FEC medem a duração e o número de interrupções no fornecimento de energia. Quanto maior esse número, maior o indicativo de que a qualidade do serviço está comprometida. ‘Enquanto os administradores esquecerem da manutenção e usarem as empresas só como banco, a situação vai só se deteriorando mais’, diz esse técnico.


Mas não é só a Celpa a distribuidora do grupo Rede com altos índices de interrupção do fornecimento de energia. A distribuidora do Maranhão e do Mato Grosso também figuram entre as piores do país. A empresa foi procurada pela reportagem, mas por ser uma companhia de capital aberto e estar com uma operação de lançamento de debêntures em andamento, nenhum executivo da companhia pode conceder entrevistas.


A Rede hoje tem ações negociada na Bolsa de Valores, mas tem pouca liquidez. Na semana passada, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) chegou a questionar uma oscilação muito forte nas ações preferenciais da empresa. No último dia 04 de novembro, as ações chegaram a subir 10% num único dia. Algumas fontes acreditam que pode ser um movimento de parceria que esteja sendo traçado pelo grupo. Um dos interessados nos ativos da companhia é a Cemig, que vem comprando grande quantidades de ativos e chegou a firmar um acordo para auxiliar outra companhia de distribuição em dificuldades, a CEB.


(Josette Goulart)

  Categorias: