CPFL Energia adquire participação em duas térmicas a óleo e uma a biomassa

12 novembro 12:27 2009

Empresa pretende chegar, em 2012, a 2.581 MW de capacidade instalada. Negociações para Belo Monte prosseguem, diz Ferreira Jr


A CPFL Energia anunciou na quarta-feira, 11 de novembro, a aquisição de participação em duas térmicas a óleo e uma a biomassa. A empresa comprou 51% das Centrais Elétricas da Paraíba (Epasa), que controla as térmicas Termonordeste e Termoparaíba, que têm capacidade instalada total de 341,6 MW. As usinas movidas a óleo combustível receberão injeção de R$ 310 milhões da CPFL, do total de R$ 608 milhões previstos para a construção.


Segundo Wilson Ferreira Junior, presidente da CPFL Energia, a empresa realizou um empréstimo ponte para capitalizar a Epasa, em montante equivalente à participação adquirida. As usinas comercializaram energia no leilão A-3 de 2007 para entrega da energia em janeiro de 2010. Contudo, o executivo disse que a perspectiva de entrada em operação é em outubro do ano que vem. Com isso, a empresa vai acionar a área de comercialização para suprir a energia vendida no certame.


Com a entrada da CPFL, os outros sócios da Epasa passam a ter participação de 31% para DC Energia Participações, 16% para Arunã Energia e 2% O&Z Incorporação. Para substituir o empréstimo ponte realizado, a empresa vai buscar linhas de financiamento no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e no Banco do Nordeste Brasileiro. Esses novos empreendimentos vão corresponder a 8,7% de participação no portfólio da companhia.


Biomassa – Ferreira Junior também divulgou, durante teleconferência com analista, a entrada na térmica a biomassa Baía Formosa, localizada no Rio Grande do Norte. A usina, com 40 MW de capacidade, receberá investimentos de R$ 127 milhões da CPFL com previsão de entrada em operação em julho de 2011. A usina vai substituir uma unidade atualmente existente no complexo sucroacooleiro do grupo Farias.


A CPFL ficará com 25 MW da capacidade da unidade, dos quais 70% já foram comercializados no leilão A-5 de 2006 e os outros 30% serão destinados ao mercado livre. A relação da CPFL com o grupo Farias. A empresa aposta ainda na comercialização de créditos de carbono do empreendimento. A CPFL criou a CPFL Bio.Formosa para operar a usina. De acordo com Ferreira Jr, a estratégia do grupo, em empreendimentos de biomssa, é ter pelo menos 51% do projeto em parceria com grande do grupos do setor de cana-de-açúcar.


A CPFL já tem um projeto de biomassa em construção, a UTE Baldin, que está com 84% das obras concluídas. A usina, com capacidade instalada de 45 MW, entrará em operação em março de 2010. A comercializadora do grupo, CPFL Brasil, receberá 24 MW do projeto por safra. A entrada em operação das três térmicas e da hidrelétrica de Foz do Chapecó fará a capacidade instalada da CPFL chegar a 2.401 MW em 2011.


Eólica – A perspectiva do grupo é ter uma capacidade instalada de 2.581 MW em 2012, consolidando-se como o terceiro maior gerador do país. Para isso, a CPFL conta com a comercialização da energia de sete parques eólicos no próximo leilão de reserva da fonte no próximo dia 14 de dezembro. Para Ferreira Jr, o preço-teto de R$ 189/MWh, divulgado pela Agência Nacional de Energia Elétrica, fará uma seleção entre os mais de 13 mil MW inscrito.


‘Ele já faz uma seleção na partida. É muito importante isso. Já tinhamos uma avaliação positiva dos parques. Continuamos bastante otimistas’, avaliou o executivo. Os parques da empresa, no Rio Grande do Norte, têm capacidade instalada de 180 MW. Para ele, os projetos vencedores do leilão terão que ter maior fator de capacidade, maior volume de ventos e tecnologia robusta.


Belo Monte – Ferreira Jr disse que a empresa não quer ficar refém dos grandes projetos, por isso, está explorando nichos de mercado, como biomassa e PCHs, além de estar atenta a novas oportunidades, como o leilão de eólicas. Ele apontou que esses segmentos de nicho permitem a comercialização de energia no mercado livre.


Ele apontou que os projetos hidrelétricos oferecidos nos leilões, como do Rio Madeira e Belo Monte, necessitam de uma grande capacidade de estudar antecipadamente suas características. ‘Estamos estudando esse projeto há um ano’, disse o executivo, em relação à Belo Monte. No caso, da hidrelétrica, com previsão de licitação em 21 de dezembro, a empresa está conversando com Neoenergia e a Vale, que têm em comum a Previ no controle acionário.


Para o executivo, as condições do leilão só ficarão mais claras quando o edital do certame for divulgado, o que ele prevê para por volta de 20 de novembro. ‘A participação depende das condições do leilão, das condicionantes ambientais e da tarifa teto. Nesse momento é que são definidas as posições’, disse. (Alexandre Canazio)


 

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