CESP: dissídio segue para julgamento

18 novembro 13:28 2009

Apesar de todas as tentativas do Sindicato em estabelecer acordo, CESP leva negociação da Campanha Salarial para dissídio coletivo que aguarda data de julgamento

O Sinergia CUT participou nesta quinta-feira (29), no Tribunal Regional do Trabalho da 2a Região em São Paulo (TRT), da segunda reunião para tentativa de negociação com a CESP. Tentativa frustrada, que terminou sem acordo porque a empresa não apresentou nenhuma proposta, recusando-se a encontrar uma redação alternativa que atendesse à reivindicação dos trabalhadores, para garantir, inclusive, emprego em caso de transferência do controle acionário da empresa.

O Sindicato fez esta proposta na primeira audiência, também sob mediação da assessoria do Tribunal e que ocorreu na segunda-feira passada (26). Mas como a CESP se recusou a solucionar o impasse criado por ela e pelo governo estadual, a segunda audiência encerrou as tentativas de conciliação.

Agora o relator nomeado durante a audiência de greve, realizada na quarta-feira da semana passada (21), desembargador Marcelo Freire Gonçalves, irá marcar a data do julgamento de dissídio coletivo.

Diante dos desdobramentos da negociação no TRT e conforme deliberado pelos trabalhadores nas assembléias do último dia 21, está mantido o estado de greve até o julgamento do mérito.

Primeira audiência

Na primeira audiência de conciliação, o Sindicato esclareceu ao assessor do TRT sobre o impasse criado pela empresa com relação às reivindicações dos trabalhadores explicando, principalmente, a questão da vigência por três anos para a cláusula de gerenciamento de pessoal em caso de alteração do controle acionário.

A CESP, por sua vez, informou que não vê sentido na permanência dessa cláusula no ACT, já que, segundo afirmou ao TRT, o governo não venderá a estatal.E foi exatamente com esse argumento que o assessor do Tribunal disse estar convencido da legitimidade da reivindicação do Sindicato, afirmando que, sem a possibilidade da venda da empresa, não consegue entender a insistência da CESP em alterar a redação da cláusula.

Empresa parafuso: apertou, espanou!

Como fez em negociações passadas, quando se viu na obrigação de tomar decisão coerente, a CESP ‘espanou’. Mais uma vez, os representantes da estatal informaram que não têm autonomia para aceitar ou rejeitar qualquer proposta apresentada na reunião. Afirmaram novamente que o ACT já foi assinado com outras duas entidades sindicais, que representam 50% da base.

Estado de greve continua

Os trabalhadores da CESP mantém o estado de greve até julgamento do mérito porque os direitos e conquistas históricos dos trabalhadores estão ameaçados. Tudo isso porque, mais uma vez, outras entidades sindicais decidiram assinar um ACT alterado pela CESP depois da aprovação dos trabalhadores. Com essa atitude, os sindicatos que assinaram o ACT da CESP dividiram e fragilizaram a categoria.

Vale lembrar que a negociação da Campanha Salarial 2009 foi conduzida ao Tribunal pela direção da CESP e pelo governo do estado de São Paulo de maneira arbitrária e autoritária. A proposta de conciliação apresentada pelo desembargador, além de suspender a greve, determinava a abertura de um canal de negociação com a participação da assessoria econômica do Tribunal para que as partes buscassem uma solução negociada do conflito. Essa proposta foi aprovada pelos trabalhadores em assembleias.

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