Confecom SP: exemplo de democracia na luta pela democratização

26 novembro 18:39 2009

Chapa única garante pluralidade e diversidade. CUT-SP participa da Conferência Nacional que acontece em dezembro


Mais de mil pessoas participaram no último final de semana da 1ª Conferência Paulista de Comunicação (Confecom SP) para debater as propostas estaduais que serão encaminhadas à 1ª Conferência Nacional que acontecerá de 14 a 17 de dezembro, em Brasília.


Foram três dias de intensos debates entre representantes da sociedade civil, dos empresários e do poder público com o tema ‘Meios Para a Construção de Direitos e de Cidadania na Era Digital’ dividido em três eixos – Produção de Conteúdo, Meios de Distribuição e Cidadania: Direitos e Deveres. A etapa paulista encaminhará mais de mil propostas à Confecom Nacional.


Para Marcelo Bechara, presidente da Comsissão Organizadora Nacional (CON) que acompanhou a Confecom SP, o trabalho foi longo, mas produtivo. ‘Foram dias muito intensos de sucesso garantido. Nunca tive dúvidas de que São Paulo realizaria a conferência com êxito total. O estado fez o dever de casa completo. O debate passou por mais de 60 municípios, com conferências municipais, intermunicipais e livres, e durante a etapa estadual esse amadurecimento ficou claro’, destacou.


‘Direito humano’
Convocada pela Comissão de Transportes e Comunicação (CTC) da Assembleia Legislativa – diante da recusa do governo Serra, que preferiu boicotar o debate e fazer coro aos grandes empresários da mídia – a Confecom SP foi aberta oficialmente pelo deputado estadual Edmir Chedid (DEM) na noite da última sexta-feira (20), na Quadra dos Bancários.


A solenidade contou com a presença de deputados estaduais e federais, acadêmicos, sindicalistas, empresários, profissionais da comunicação e militantes de dezenas de entidades do movimento social. Dutante a abertura, a sociedade civil foi representada por Bia Barbosa que destacou a construção democrática e a importância histórica da 1ª Confecom SP, ‘conquista de muita pressão do movimento social e da luta pelo direito humano à comunicação’.


Pelo setor empresarial – que reuniu representantes de projetos progressistas e independentes de comunicação, Associação dos Jornais do Interior (Adjori), Telebrasil e Associação Brasileira de Radiodifusão (Abra) – falaram Wagner Nabuco, Renato Rovai, Marcos Mesquita e Frederico. O poder público concedeu a palavra também ao deputado estadual José Zico Prado (PT), aos deputados federais Luiza Erundina (PSB-SP) e Paulo Teixeira (PT-SP), além do presidente nacional do PSOL Ivan Valente.


Vaias para Serra. Aplausos para Lula
As atividades de sábado (21) e domingo (22) aconteceram na Assembleia Legislativa, com painéis e discussão em nove grupos de trabalho. A conclusão dos debates foi consenso: o Brasil avança em muitos setores mas a luta pela democratização dos meios de comunicação e pelo fim do controle de poucos grupos empresariais sobre a produção jornalística e cultural brasileira só está começando.


Para Laurindo Lalo Leal Filho, professor da USP, que falou na manhã de sábado (21), o processo de construção da Confecom Nacional já entrou para a história do país. ‘Nunca se discutiu tanto a comunicação no Brasil, quantitiva e qualitativamente. Durante décadas, esse foi um debate restrito ao círculo acadêmico ou sindical. Hoje, a sociedade brasileira já entende a necessidade de discutir criticamente os meios de comunicação e as formas para transformar essa realidade. O estado brasileiro tem que resgatar uma dívida social histórica no cenário da comunicação’.


A plenária final aconteceu na tarde de domingo (22), com aprovação de várias moções, inclusive uma de repúdio ao governador de São Paulo José Serra (PSDB), aprovada sob muitas vaias ao tucano. Antes do encerramento, a deputada Luiza Erundina – mititante histórica na luta pela democratização da comunicação e protagonista na Comissão de Comunicação da Câmara Federal – lembrou que ‘a 1ª Confecom só existe porque o presidente Lula topou convocá-la, contra a vontade dos grandes empresários que controlam conglomerados de TVs, rádios e jornais e que boicotaram a Conferência’. Foi interrompida por longos aplausos.


Chapa única
Antes da plenária final, os três segmentos elegeram separadamente os delegados à Confecom Nacional. Seguindo uma resolução da CON, a etapa paulista elegeu 84 delegados da sociedade civil, 84 do setor empresarial e 21 do poder público.  


‘Um grande exemplo de democracia foi dado pela sociedade civil ao construir uma chapa única, plural, qualificada e representantiva das dezenas de entidades engajadas na luta pela democratização da comunicação, ao contrário do que aconteceu em outras etapas estaduais’, avalia Lílian Parise, dirigente da CUT-SP e representante da Central na Comissão Organizadora Estadual. ‘A delegação paulista tem mais de 60% de mulheres e 34,5% de representantes do interior do estado. É resultado de um exercício democrático que caracterizou todo o processo de construção da etapa estadual’.


A delegação do movimento social foi eleita por aclamação e é formada por sindicatos do ramo da comunicação, entidades que debatem a mídia, organizações não governamentais, feministas, mulheres,  movimento negro, LBL (Liga Brasileira de Lésbicas), centrais sindicais e participantes das etapas preparatórias que aconteceram no interior, litoral e Vale do Paraíba.


A CUT-SP garantiu três delegados à etapa nacional: Lílian Parise (CUT-SP), Ernesto Shuji Izumi (Sindicato dos Bancários) e Miriam Leirias (Sindicato dos Psicólogos). Força Sindical, CGTB, Intersindical, Fitert e CNTQ (Confederação Nacional dos Químicos) elegeram um delegado cada. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, filiado à CUT, também será representado por três delegados à Confecom Nacional.


Os empresários do setor progressista conseguiram eleger 20 delegados na chapa empresarial. A Revista do Brasil será representada por Paulo Salvador, do núcleo de planejamento editorial.      

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