Leilão de eólicas movimenta R$ 19,5 bi

15 dezembro 20:12 2009

No primeiro evento do gênero no País, foram contratados 1.805 MW


Depois de quase oito horas de disputa, o primeiro leilão de energia eólica contratou 1.805 megawatts (ou 783 MW médios) nas Regiões Sul e Nordeste do País. No total, foram comercializados R$ 19,5 bilhões durante 20 anos.



Embora a quantidade tenha ficado um pouco abaixo da expectativa do mercado, o leilão foi bastante disputado, com deságios entre 19% e 31% – maior até que os das últimas hidrelétricas leiloadas no Brasil (o de Jirau foi de 21,6%).



O preço médio, de R$ 148,39 o MWh, surpreendeu até os mais otimistas. ‘Foi um sucesso absoluto’, afirmou o secretário do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmerman, frisando que o preço mínimo do leilão ficou em R$ 131 e o máximo, em R$ 153,07 o Mwh.
Segundo ele, 71 usinas venderam sua energia em contratos de 20 anos, a partir de 1º de julho de 2012. O maior vencedor do leilão foi o Estado do Rio Grande do Norte, que vai abrigar empreendimentos de 657 MW de potência instalada.



Em seguida, ficou o Ceará, com 542 MW; Bahia, 390 MW; Rio Grande do Sul, 186 MW; e Sergipe, 30 MW. Essa concentração deve ser primordial para definir onde as fábricas de aerogeradores serão instaladas.



Zimmerman destacou que a maioria dos empreendedores é privado. Umas das maiores vencedoras foi a empresa Renova, que tem participação do Fundo InfraBrasil, administrado pelo Banco Real. Só ela vendeu 127 MW médios no leilão. A CPFL vendeu cerca de 76 MW médios. As estatais do Grupo Eletrobrás e a Petrobrás também venderam alguns alguns lotes.


Para o leilão de ontem, foram habilitados 339 empreendimentos, com capacidade instalada de 10 mil MW. Mas a maioria dos especialistas do setor já esperava que a contratação fosse menor. Em entrevista ao Estado, o presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (AbeEólica), Lauro Fiuza, afirmou que, se fossem contratados entre 2 mil e 2,5 mil MW de energia, seria um sucesso estrondoso. A venda no leilão ficou um pouco abaixo das suas estimativas, mas deve significar investimentos de R$ 9 bilhões.
A disputa começou às 10h30 e terminou por volta de 18 horas. O leilão ocorreu em três fases – com a primeira levando mais de sete horas, com 75 rodadas. As duas outras etapas terminaram em minutos. Segundo presidente do conselho de administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Antônio Carlos Machado, o leilão transcorreu sem transtornos. Oito usinas participaram por meio de liminar, mas nenhuma venceu.


 Com o resultado de ontem, a energia eólica triplica sua participação na matriz energética nacional, de 602 MW para 2.407 MW. ‘Os preços do leilão demonstraram que o País tem excelentes oportunidades para explorar nessa área. Temos vocação para trabalhar com fontes renováveis’, afirmou Zimmerman. Ele, no entanto, preferiu não comentar se o País terá ou não uma política só para eólicas.


 Para ele, o próprio resultado do leilão é a sinalização que tanto os fabricantes queriam para instalar suas unidades no País. ‘Recentemente estivemos nos Estados Unidos e verificamos preços de energia eólica entre US$ 50 e US$ 80. O leilão apresentou números muito semelhantes, com a vantagem de que no Brasil os parques são muito melhores do ponto de vista de eficiência.’


Para o diretor geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hubner, o preço de ontem permitirá que os empreendimentos de eólica possam participar de leilões com outras fontes de energia, como a biomassa.

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