CUT na Conferência do Clima das Nações Unidas em Copenhague

16 dezembro 15:39 2009

Desafio é construir consenso sobre desenvolvimento com respeito e valorização do trabalho, afirma Artur



A 15.ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-15) em Copenhague, Dinamarca, entra na semana decisiva. O documento final, com a posição dos governos de 192 países sobre a redução de emissões de gases causadores do efeito estufa deve sair na noite desta quinta-feira (17).



Os dirigentes cutistas participam dos debates que ocorrem no Pavilhão do Mundo do Trabalho, na sede da LO, central sindical dinamarquesa. Nesta terça (15), quando chegam os chefes de Estado das nações para a realização da grande plenária no espaço principal, o Bella Center, o secretário de relações internacionais da Central, João Felício, integra a mesa com o tema ‘Justiça Social e climática: criando uma economia para os povos e o meio-ambiente no Cone Sul’. Na quarta, a secretária de meio ambiente, Carmen Foro, contribuirá com a discussão que terá como eixo ‘Trabalhadoras e trabalho verde: emprego, equidade e igualdade’.



O presidente da CUT, Artur Henrique, comentou que a entidade, a Confederação Sindical Internacional (CSI), a Confederação Sindical dos Trabalhadores das Américas (CSA) e outros representantes dos movimentos sociais promoveram uma reunião na manhã desta terça com o objetivo de definir estratégias de intervenção para fazer com que o governo brasileiro influencie outros países, especialmente os Estados Unidos, a apoiarem a introdução da transição justa e empregos decentes no apontamento final da COP-15. ‘A transformação para a economia de baixo carbono não pode ser feita sem garantia de questões sociais e trabalhistas. O emprego verde só existe se for associado ao trabalho decente, com carteira assinada, com todos os direitos trabalhistas e sociais, sem que as pessoas estejam submetidas ao assédio moral e a metas absurdas’, afirmou.



À tarde, as lideranças participaram de uma reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, que contou com a presença da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, do ministro do meio-ambiente, Carlos Minc, e do embaixador Luiz Alberto Figueiredo, negociador oficial do País na conferência. De acordo com Artur, o governo federal afirmou concordar com a proposta de inclusão dos dois temas apresentados pelos trabalhadores.



O presidente comentou ainda que graças à intervenção da CSI e da CSA no ambiente da COP-15, muitas questões relativas aos trabalhadores como a construção sustentável, os empregos verdes na construção civil e os impactos da transição econômica para todo o mundo ganharam destaque.



Festival de interesses
Artur destaca também que há uma divisão nítida na consciência sobre os problemas ambientais. Enquanto alguns países mais ameaçados de desaparecerem por conta do aumento do nível do mar e do degelo provocado pela elevação da temperatura cobram medidas audaciosas e emergenciais, outros como a China adotam uma postura decepcionante. ‘Os chineses declararam que não pretendem destinar recursos para fundo internacional de combate aos efeitos da mudança climática nos países pobres, porque já gastarão muito para reduzir a emissão de gases em seu próprio país. Isso demonstra uma visão individualista, em detrimento da construção de um compromisso em que todas as nações dividam a responsabilidade pelo desenvolvimento sustentável’, criticou.



Ele acredita que a grande dificuldade será a construção de uma declaração que contemple os chamados países desenvolvidos, aqueles em processo de desenvolvimento e as nações pobres. ‘A decisão não será fácil. Até ontem, o texto estava andando relativamente bem e a expectativa era que os ministros e presidentes apenas incluíssem alguns números como metas e valores com o fundo proposto, mas hoje houve um retrocesso. O problema é que não há votação e é preciso existir consenso para aprovação das propostas. Nossa luta é para evitar que a declaração seja muito abrangente, muito detalhista e assim impeça a aprovação por críticas a detalhes pontuais ou se torne absolutamente genérica e não inclua aquilo que realmente interessa’, avaliou.



O plano brasileiro de ‘Ações para Mitigação de Emissões até 2020’ aponta a redução entre 36,1% e 38,9% da quantidade de lançamento de gás carbônico na atmosfera. A meta seria cumprida principalmente por meio da diminuição do desmatamento. O índice superior ao de países como EUA (18%) e Índia (24%) fica próximo dos 40% defendidos pelas centrais em um documento unificado encaminhado ao governo federal.



Contudo, é preciso avançar nas demais reivindicações dos trabalhadores, como a necessidade de implementar exigências ambientais para licitações públicas para todos os países, a verificação dos inventários de emissões das empresas e o acompanhamento da implementação do Plano Nacional de Mudanças Climáticas.



(Luiz Carvalho)

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