COPENHAGUE 2009: País prevê US$ 166 bi para cortar CO2

17 dezembro 11:41 2009

Conta apresentada por Dilma Rousseff não inclui gastos para reduzir desmatamento no cerrado. Parcela menos cara do plano é a que envolve diminuir o desmate na Amazônia; peso maior cabe a obras de porte, como hidrelétricas


Sem contar os gastos com a redução do ritmo do desmatamento do cerrado, o governo estima em US$ 166 bilhões o custo, em dez anos, para cortar as emissões de gases-estufa no Brasil entre 36% e 39% do volume estimado para 2020.


O custo aproximado para tirar do papel as metas propostas em novembro, anunciado ontem, equivale a apenas um ano do financiamento necessário para combater a mudança climática no mundo, o qual deve vir de um fundo global. O Brasil apoia o fundo e o vê como único resultado viável da conferência do clima em Copenhague.


O número foi apresentado pela ministra Dilma Rousseff. Ela insistiu que o Brasil espera contar com financiamento externo para reduzir as emissões de gases responsáveis pelo aquecimento global.


Conta salgada
As metas consumiriam, por ano, mais da metade do dinheiro arrecadado com impostos e destinados aos investimentos públicos, caso tivessem de ser bancadas com o Orçamento da União. Atualmente, a conta das ações de mitigação é paga com dinheiro público, de linhas de financiamento oficiais, e a participação da iniciativa privada. ‘A gente quer linha de financiamento, recursos internacionais’, defendeu a ministra.


Na contabilidade apresentada ontem, o maior peso -quase 80%- recai sobre a construção de usinas hidrelétricas, estímulo ao uso de biocombustíveis e medidas de eficiência energética. A área de energia responde por menos da quinta parte da meta de corte das emissões brasileiras em cerca de 1 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa até 2020.


A parcela menos cara das metas do governo é, paradoxalmente, a que contribui com a maior parcela de redução das emissões. O governo prevê que a redução em 80% do desmatamento da Amazônia exigirá investimentos de US$ 21 bilhões ao longo de dez anos.
A recuperação de pastagens degradadas e demais medidas na área de agricultura consumiriam pouco mais de US$ 32 bilhões, disse a ministra. ‘São números provisórios, indicativos’, disse Dilma Rousseff. Os dados foram submetidos ao presidente na primeira reunião depois da chegada de Lula a Copenhague. ‘E ainda falta o cerrado’, insistiu.


É para conter o desmatamento do cerrado que o governo espera ver destinada boa parte dos investimentos em Redd (redução de emissões por desmatamento e degradação), mecanismo cujas regras são discutidas na conferência do clima. Na região, os proprietários rurais têm direito, por lei, a desmatar até 80% de suas terras, daí a necessidade maior de estímulos financeiros.


Três dias depois de ter sido questionada sobre o financiamento de R$ 1 bilhão para a construção de uma usina térmica a carvão no Maranhão, do empresário Eike Batista, a ministra continuou sem resposta sobre a conveniência do investimento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). ‘Não tive tempo de olhar em que contexto foi concedido esse financiamento’, disse ontem.


As térmicas a carvão representam a forma mais poluente de geração de energia. Ao ser questionada novamente ontem, Dilma voltou a cobrar pressa na liberação de licenças ambientais a usinas hidrelétricas. (Marta Salomon, Claudio Angelo e Luciana Coelho)    

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