Emprego formal sobe 5 vezes mais que média

17 dezembro 11:48 2009

Em novembro, mês tradicionalmente fraco para o mercado, foram criadas 247 mil vagas formais, número recorde para o período. Saldo no ano chega a 1,41 mi de contratações; governo espera que, com cortes em dezembro, 2009 feche com até 1,2 mi de novas vagas


Em um movimento atípico do mercado de trabalho, as contratações com carteira assinada exibiram vigor em novembro, e o saldo de empregos formais gerados no mês atingiu 246.695 postos. O resultado é recorde para o período e corresponde a cinco vezes mais que a média de vagas criadas em novembro nos últimos cinco anos.


Tradicionalmente, o último trimestre do ano é caracterizado por fraco desempenho do mercado de trabalho formal, com perda de vagas em dezembro. No ano passado, com a chegada da crise mundial ao Brasil, houve o fechamento de 40.821 postos em novembro.


Com os empregos gerados no mês passado, o saldo de contratações acumulado neste ano alcançou 1,410 milhão de postos de trabalho. Na avaliação do Ministério do Trabalho, esse número deverá cair para entre 1,150 milhão e 1,2 milhão neste mês devido às já esperadas demissões de dezembro.


‘Esperamos de 220 mil a 260 mil demissões neste mês. Será o melhor dezembro da história. Não que demissão seja algo bom, mas será o menor resultado negativo dos últimos anos’, disse o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. A média histórica de perda de vagas em dezembro é de 300 mil postos. No ano passado, a crise provocou o fechamento de 655 mil vagas em dezembro.


Os dados divulgados ontem fazem parte do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que é divulgado mensalmente pelo Ministério do Trabalho desde 1992. O cadastro registra todas as demissões e as contratações realizadas pelas empresas. Não entram na base de dados as contratações temporárias, de trabalhadores domésticos e de servidores públicos.


A projeção do ministro para 2009 diverge dos números anunciados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada, que indicavam a geração de 1,3 milhão de vagas formais neste ano.


Lupi afirmou que os dados divulgados pelo presidente vão além das informações contabilizadas no Caged. Incluem os registros da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), que é uma base de dados mais ampla porque contém contratados temporários e funcionários públicos. ‘Acredito que a Rais mostrará até mais que 1,3 milhão de empregos’, disse Lupi, acrescentando que esses números só serão consolidados e divulgados em meados do ano que vem.


Só agricultura perde
No mês passado, todos os setores apresentaram saldo positivo de vagas, exceto a agricultura. O setor perdeu 16.628 empregos por conta da entressafra de várias culturas. Houve desempenho negativo nos cultivos de cana-de-açúcar e de uva em vários Estados das regiões Sudeste e Nordeste.


Quatro setores foram recordistas em contratações: comércio, serviços, indústria de transformação e construção civil. As empresas do comércio foram responsáveis pela maior abertura de postos de trabalho no mês. Foram 116.571 vagas criadas, resultado 17% acima do recorde anterior, verificado em 2007. No acumulado do ano, o setor de serviços ainda lidera as contratações, com 568.259 postos de janeiro a novembro. (Juliana Sofia)

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