O preço do álcool e a soberania energética do Brasil

18 janeiro 16:40 2010

Crise prova que o projeto dos trabalhadores é o melhor para o Brasil


Escrito por João Antonio de Moraes*    



A partir de 1º de fevereiro, por pelo menos 90 dias, o governo reduzirá de 25% para 20% a quantidade de álcool misturado à gasolina para tentar conter o forte aumento de preços do etanol. O litro atingiu no começo do ano o valor de R$ 1,775, o mais alto desde abril de 2000 e acumulou a quinta alta seguida em seis meses. Em junho de 2009, o litro do álcool era vendido a R$ 1,392.


Os usineiros culpam as chuvas no Brasil e a quebra da safra na Índia (usinas brasileiras passaram a produzir mais açúcar para atender à demanda internacional) como fatores que afetaram a produção e o consequente aumento nos preços, com reflexos para o bolso de todos os cidadãos brasileiros, apesar de a safra de cana no país ter passado de 505 milhões de toneladas, em 2008, para 540 milhões no ano passado.


Esse episódio demonstra ainda mais a necessidade do controle do Estado sobre os bens energéticos para que a população não viva constantemente refém dos interesses do mercado. Para que a Europa e a Índia possam tomar café com açúcar, o brasileiro tem que pagar mais pelo álcool do automóvel, o governo tem que reduzir a mistura nos combustíveis – causando maior poluição, entre outros problemas -, mas os usineiros insistem em se utilizar desses expedientes para aumentar suas margens de lucro.


Quando propomos no Congresso Nacional o monopólio estatal para o setor energético, por meio de uma nova lei do gás e do petróleo, entendemos que esse bem é estratégico para a soberania e o desenvolvimento nacional e não pode estar refém dos interesses do mercado, como nau sem rumo em mar turbulento. No final de 2009, a Federação Única dos Petroleiros (FUP-CUT) apresentou no Congresso um projeto de lei construído pelo movimento sindical e popular, tornando a Petrobrás 100% estatal e pública e destinando a riqueza do pré-sal para resolver os graves problemas sociais que ainda assolam o país.


Esse é um debate que está apenas começando, mas o destino do Brasil nas próximas décadas dependerá das decisões que tomarmos hoje; há dois caminhos a seguir: o da soberania nacional, tornando o Brasil uma grande nação, ou ser eternamente refém do mercado e de sua ânsia desenfreada por lucro.


*João Antonio de Moraes, Coordenador Nacional da Federação Única dos Petroleiros (FUP-CNQ-CUT)

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