Diretor da Eletrobrás vai presidir grupo Rede

27 janeiro 17:41 2010

O grupo Rede Energia terá novo presidente. Será Flávio Decat de Moura, que hoje preside as seis distribuidoras federalizadas controladas pela Eletrobrás e que atendem o Acre, Alagoas, Piauí, Rondônia, Amazonas e ainda a Boavista Energia, de Roraima, e também presidente do conselho de administração de Furnas. Decat deixa o cargo em abril para assumir, logo em seguida, o grupo de empresas reunidas no Rede, de Jorge Queiroz de Moraes Junior. Ele assume o lugar hoje ocupado por Carmem Campos Pereira Coura.


O lugar de Decat na Eletrobrás será ocupado por Pedro Carlos Hosken Vieira, ex-controller da Cemig e atual diretor financeiro das empresas de distribuição da estatal, informou na semana passada o presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopes.


Ontem, Decat falou por telefone com o Valor da cidade de Piripiri, no Piauí. Disse que ainda não se decidiu sobre o convite para uma empresa privada e que ‘se sair’ será só no fim de março. O executivo disse que está ‘na dúvida e balançado’ pelo convite e com dúvidas sobre ‘largar um projeto em andamento que está indo tão bem’.


Decat e Muniz estavam no Piauí inaugurando um projeto do programa Luz para Todos na pequena cidade do Estado onde antes a distribuidora Cepisa, uma das federalizadas durante o governo Lula, não tinha condições de investir. Decat contou que precisou criar uma empresa com estrutura capaz de instalar 86 mil ligações elétricas no Piauí este ano para atender o programa federal, que é subsidiado.


‘É um projeto bonito, que me motiva muito. E largar um projeto em andamento, você sabe como é engenheiro, tem essa coisa de tratar como filho’, afirmou o engenheiro elétrico, que já presidiu a Eletronuclear (2001 a 2003) e a Gasmig (2004 a 2007) e foi diretor da Cemig (2003 a 2007)


A Eletrobrás contratou a Accenture para fazer a gestão, enquanto outra companhia foi contratada para fiscalizar e outra para montar um software de controle. Como não existiam técnicos, a Eletrobrás treinou 700 pessoas para trabalharem como instaladores de linhas no Estado, conta Muniz.


O novo cargo de Flavio Decat vai representar um desafio para o experiente executivo, que disse que ainda não ‘mergulhou’ nos números do Rede Energia. Ele foi convidado para presidir um dos maiores grupos privados atuando no setor elétrico e que controla a Empresa Elétrica Bragantina, a Vale Paranapanema, a Companhia Nacional de Energia Elétrica, a Caiuá Distribuição de Energia, a Companhia Força e Luz do Oeste além das distribuidoras Celpa (Pará), Cemar (Maranhão), Celtins (Tocantins) e a Enersul (Mato Grosso do Sul).


No balanço consolidado do grupo, reunindo os resultados das nove distribuidoras e duas geradoras até setembro de 2009 – o último disponível – a dívida total somava de R$ 4,78 bilhões. Já o prejuízo foi de R$ 55,6 milhões, resultado melhor que o registrado no mesmo período de 2008, quando o prejuízo acumulado chegava a R$ 224,2 milhões. O lucro antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações (Lajida) no acumulado dos nove primeiros meses de 2009 somava R$ 853,5 milhões.


Já a alavancagem (dívida financeira líquida/Lajida) estava em 3,2 em setembro do ano passado, um dos índices mais altos do setor. Nos três primeiros trimestres de 2009 o investimento líquido do grupo caiu 55% – de R$ 566,6 milhões para R$ 256,1 milhões quando comparado com o mesmo período de 2008. Essa conta não inclui investimentos feitos com recursos de fontes subsidiadas pelo governo como a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e a Reserva Global de Reversão (RGR), entre outros.


Consultado pelo Valor sobre a saída do diretor e sua substituição na semana passada, o presidente da Eletrobrás confirmou Rosken na presidência das distribuidoras e do conselho de administração de Furnas. A Eletrobrás tem 34% da Centrais Elétrica do Pará (Celpa), uma das distribuidoras controladas pela Rede Energia, e admite que pode elevar a participação para 49%. Com a ida de Decat para o Rede, Muniz disse que a Celpa precisa tornar-se uma ’empresa de ponta’ capaz de atender o Pará da forma como ele precisa.


‘Flávio (Decat) tem o objetivo de ajeitar a Celpa, que para nós é muito importante, o celeiro da energia do Brasil. Ela é a distribuidora do Estado onde estão presentes as grandes hidrelétricas do país’, disse Muniz.


Em 2003 a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) puniu o Rede por transferir R$ 72,2 milhões da Celpa para a Usina Hidrelétrica Lajeado, que fica no Tocantins, e portanto fora da área de concessão da distribuidora. Posteriormente a participação em Lajeado foi trocada por 100% da Enersul, distribuidora do Mato Grosso do Sul. Em 2007 o BNDES, através de seu braço de participações BNDESPar, exerceu a opção de converter debêntures em ações preferenciais do Rede Energia e hoje o banco tem 25,3% do grupo. (Claudia Schüffner, do Rio)

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