Indústria critica expansão da malha de gasodutos no país

01 fevereiro 14:54 2010

As novas obras representarão um crescimento de 47,3% na malha atual da Petrobras, com 2.437 km de novos gasodutos


Em meio a um cenário de preço elevado do gás natural, sobra do produto e críticas do setor industrial, a Petrobras iniciou ontem a operação do primeiro de uma série de seis gasodutos incluídos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e com previsão de entrega para este ano.



As novas obras representarão um crescimento de 47,3% na malha atual da Petrobras, com 2.437 km de novos gasodutos. O Paulínia-Jacutinga, com 93 km de extensão, inaugurado ontem pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata à Presidência pelo PT, levará gás para indústrias da região sul de Minas Gerais.



Mas a expectativa da Petrobras é que, em 2011, apenas 10% de sua capacidade de transporte diário de 5 milhões de metros cúbicos seja efetivamente usada. De acordo com a estatal, a oferta existe, mas o consumo depende de ações do Estado e dos municípios.



Segundo a Abegás (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado), o consumo médio no Brasil, em 2009, foi de 36,7 milhões de metros cúbicos por dia, uma retração de 26% no consumo médio do energético em relação a 2008. A Petrobras prevê, para 2012, um consumo de 49 milhões de metros cúbicos por dia. Hoje, cerca de 9 milhões são queimados diariamente, porque não são usados.


Elefante branco
A expansão recorde da malha prevista para este ano é criticada pela Abrace (Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres).



Frederico Paixão Almeida, especialista do departamento de energia térmica da entidade, diz que há risco de criação de ‘elefantes brancos’ -gasodutos com aproveitamento bem abaixo de sua capacidade plena.


Ele lembra que, no início de dezembro, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse que não havia garantia de disponibilidade de gás firme, aquele com fornecimento ininterrupto, justamente a demanda das grandes indústrias.



‘Ficamos sem entender. O governo construindo gasodutos, mas sem disponibilidade de gás firme’, diz Almeida.


A diretora de Gás e Energia da Petrobras, Graça Foster, argumenta que os investimentos em gasodutos são de longo prazo e que as obras são fruto de uma aposta no crescimento.


”Entre pensar em fazer um gasoduto, decidir, licenciar, construir, conclui-lo e operar, leva de três a quatro anos. É para fazer o quê? Esperar faltar o gás? Não sustentar a tendência do crescimento econômico?’, disse Foster, via assessoria.



Segundo Almeida, a construção de gasodutos também contribui para elevar o preço do gás natural no Brasil, o segundo mais alto do mundo, de acordo com a Abrace.



A razão, segundo o especialista, é a existência de uma parcela fixa na composição do preço para remunerar investimentos da estatal, como a construção de novos gasodutos.


A Petrobras não comentou as críticas da Abrace sobre a composição do preço.



(Breno Costa) 

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