CESP: conveniências eleitoreiras

12 fevereiro 19:08 2010

Pré-candidato à Presidência da República, Serra garante que não privatizará a energética em 2010


Notícia de destaque na mídia nacional desta quinta-feira (11) é a confirmação oficial do governador Serra de que não colocará a CESP à venda neste ano e que a companhia paulista, à exemplo da energética mineira Cemig, pode expandir a produção de energia para fora de São Paulo.


Grande atraso. Não foi por falta de falar…
Desde 1996 – quando a base de apoio do governo tucano na Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou a Lei nº 9.361, que instituiu o Programa Estadual de Desestatização (PED) – o Sinergia CUT vem alertando que a privatização das elétricas é um grande equívoco. No caso da CESP, um enorme erro, já que o governo estaria abrindo mão da capacidade de fomentar o desenvolvimento nacional, tendo em vista o vínculo da empresa com o uso múltiplo das águas, irrigação, saneamento e transporte fluvial da hidrovia Tietê/Paraná.


O PED paulista previa a divisão das três concessionárias de energia (Cesp, Eletropaulo e CPFL) em mais de 20 empresas, a pretexto de ampliar o número de interessados em assumir o negócio e ‘induzir a competição’. Mas o começo da privataria provocou, na verdade, aumento de tarifas, desemprego de profissionais especializados, queda da qualidade dos serviços e em nada ‘induziu a competição’.


‘Se tivessem nos escutado, estado e país estariam mais avançados’


A frase é do presidente do Sindicato dos Eletricitários de Campinas/Sinergia CUT Gentil Teixeira de Freitas. ‘Depois de fazer o estado e o país andarem para trás por tantos anos, agora o governo Serra diz que pretende adotar a mesma postura dos governos do Paraná e de Minas (Copel e Cemig), que continuam participando do esforço para garantir a energia elétrica para o Brasil.


E as consequências estão aí…


Para a direção do Sinergia CUT a inversão dos rumos e planos do governo de SP confirma o oportunismo característico dos governos tucanos. ‘Não só avisamos, mas comprovamos durante todos esses anos, com documentos, números, análises de especialistas e fatos, que as privatizações fizeram retroceder o crescimento do estado e prejudicaram toda uma nação’ afirmou Jesus Garcia, presidente do Sinergia CUT.


Ele observa que as consequências das privatizações ocorridas e a falta de investimentos e expansão do setor, estão cada vez mais frequentes. ‘Temos vivenciado os constantes apagões, a diminuição dos postos de trabalho, o aumento das tarifas e a queda da qualidade dos serviços. E todo esse tormento vem sendo usado agora, de forma oportunista, pelo governo tucano de Serra, que vem dizendo a todos os ventos que vai investigar a fundo as causas de tantos problemas enfrentados pelo setor’, afirmou Jesus.


E ele levanta a questão: ‘Quem garante que, em 2011, se o governo de SP continuar com os tucanos, a venda da CESP e os desmandos no setor energético não voltarão à pauta principal?’

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