FTIUESP sob nova direção

12 fevereiro 19:05 2010

Urbanitários participam da assembleia de ratificação da Federação Paulista que reúne sete sindicatos e reforça a organização sindical do ramo. Direção é eleita para mandato de três anos


Mais de 110 trabalhadores da ativa e aposentados aprovaram por unanimidade a ratificação da criação da Federação dos Trabalhadores na Indústria Urbanitária do Estado de São Paulo (FTIUESP), filiada à CUT, em assembleia realizada no final da tarde da última quinta-feira (11), na sede da macro do Sinergia CUT em Rio Claro. Durante o encontro, os urbanitários elegeram, também por aclamação, a nova direção da federação paulista formada por representantes de sete sindicatos – Eletricitários de Campinas, Gasistas do Estado de SP, SindLitoral, SindPrudente, Sindluz Bauru, Sindae Campinas e Sindae Jundiaí.
  
Reunindo eletricitários, gasistas e trabalhadores de água e esgoto, saneamento e meio ambiente, a FTIUESP reforça a organização sindical do ramo urbanitário cutista em todo o estado de São Paulo, fortalecendo a luta pela qualidade dos serviços públicos, pela geração de mais empregos e mais renda, contra a terceirização e a precarização das condições de trabalho. Em futuro próximo a ideia é criar a Confederação Nacional dos Urbanitários (CNU), com atuação nacional.


‘Consolidamos a unidade das entidades de eletricidade, gás e saneamento ambiental paulista hoje, revitalizando a Federação dos Trabalhadores das Indústrias Urbanas do Estado de São Paulo, a FTIUESP, para alavancar as lutas pela ampliação de direitos e democratização das relações de trabalho’, reforça o manifesto lido durante a posse da nova direção.
 
Outro objetivo da Federação é formular propostas e atuar conjuntamente para enfrentar os ataques do governo de SP, que privatizou e sucateou o setor energético e faz despencar a qualidade dos serviços que chega à população. ‘Além das mobilizações de caráter corporativo, nossa ação deverá focar o plano institucional para assegurar o caráter público das empresas de energia e saneamento contra as políticas de terceirização e as investidas do setor privado, sequiosos de assumir o controle destas empresas e dos serviços que prestam à população’, destaca o manifesto da FTIUESP.
 
Resultado do esforço conjunto das sete entidades, a FTIUESP foi reativada na primeira semana deste ano, com duas plenárias para atualizar princípios, objetivos e estatuto, além dos critérios e do compromisso da formação da chapa que foi eleita durante a assembleia.


Nova direção
Eleita para um mandato de três anos, a direção executiva da Federação é formada por Djalma de Oliveira (presidente), Carlos Roberto de Souza (secretário-geral) e Jesus Francisco Garcia (tesoureiro), ao lado de titulares de quatorze secretarias: Deise Capelozza (Formação), Carlos Alberto Alves (Políticas Sindicais), Nelson dos Anjos Rocha (Políticas Sociais), Adão Luiz Carlos (Combate ao Racismo), Carlos Eduardo Fábio (Juventude), Rosana Grigoletto (Mulher), Gentil Teixeira de Freitas (Energia Elétrica), Adenir Pinto (Saneamento), Artur Risso Neto (Gás), Marcos Alnei Sestari (Meio Ambiente), Edmar da Silva Feliciano (Relações Internacionais), Claudinei Ceccato (Comunicação), Ailton Ricardo Cruz (Relações do Trabalho) e Claudemir Sebastião Casarini (Previdência, Fundações e Aposentados).


A direção tem cinco suplentes e um Conselho Fiscal. Na suplência estão Everton Rodrigues Matos, Wilson Marques de Almeida, Rodnei dos Santos, José Francisco de Oliveira e José Reinaldo Espanhol. Os titulares do Conselho Fiscal são Elias Perrotti da Silva, Roberto Tavares Ledo e Fábio Henrique Dias, com suplência de Francisco Wagner Monteiro, Edemir Pinheiro de Góes e Rosana Favaro Gazzola.


Princípios e diretrizes
Junto com os princípios de unidade, democracia, autonomia e liberdade de organização, a direção empossada reafirmou ‘disposição de luta e vontade política de concretizar a Federação Paulista como espaço efetivo de ação político-sindical, potencializando a disputa ideológica, de concepção sindical, buscando despertar nos trabalhadores a dignidade e a consciência cidadã’.
 
Ao final, aprovaram ainda as principais diretrizes do mandato: a luta contra a privatização e pelo controle social da energia e do saneamento ambiental; a luta pela liberdade e autonomia sindical como instrumento essencial  da cidadania; o combate a todas as formas de precarização do trabalho e discriminação e luta pela igualdade de oportunidades entre homens e mulheres; o avanço da organização nos locais de trabalho e a defesa do Emprego, Salário e Renda.


Leia a íntegra do Manifesto da FTIUESP referendado pela assembleia:


O mundo passa por uma convergência de crises: dos valores, das pandemias, da demografia, da economia, da energia, da especulação financeira, da educação, da pasteurização cultural, de identidades, da banalização da vida, da miséria que explode no mundo, da falta de água que já atinge mais de um bilhão de pessoas. O desafio, então, é: salvar o planeta, reduzir as desigualdades, assegurar o acesso ao trabalho digno e corrigir as prioridades produtivas. No Brasil, as condições políticas e econômicas construídas nos últimos anos possibilitaram o enfrentamento dos impactos da crise econômica internacional, mantendo a capacidade de agir e de promover o desenvolvimento com distribuição de renda, assim como criaram a oportunidade para recolocar na agenda política o debate sobre o padrão de desenvolvimento e o papel do Estado.


O ano de 2010 será de intensa disputa de projetos na sociedade, com as eleições para presidência da república, governadores, deputados estaduais, federais e senadores. Pode significar para a classe trabalhadora brasileira a garantia da continuidade e aprofundamento de políticas e estratégias que significam ampliação de direitos e radicalização da democracia. E essa disputa, certamente, terá repercussão no movimento sindical, acirrando disputas por base.


É neste cenário complexo que se dará a luta dos trabalhadores urbanitários do estado de São Paulo. E não podemos nos furtar ao desafio de contribuir e intervir, de maneira qualificada, nesse processo.
Por isso, nós, trabalhadores e trabalhadoras do ramo urbanitário, no Estado de São Paulo, reafirmamos nossa posição e disposição de luta para garantir o processo de aprofundamento das mudanças iniciadas há 8 anos pelo governo LULA.


Além das mobilizações de caráter corporativo, nossa ação também deverá focar o plano institucional para assegurar o caráter público das empresas de energia e saneamento contra as políticas de terceirização e as investidas do setor privado, sequiosos de assumirem o controle destas empresas e os serviços que prestam às populações.


Consolidamos a unidade das entidades de eletricidade, gás e saneamento ambiental paulista, hoje, revitalizando a Federação dos Trabalhadores das Indústrias Urbanas do Estado de São Paulo, a FTIUESP, para alavancar as lutas pela ampliação de direitos, democratização das relações de trabalho.


Entendemos que água e energia são elementos essenciais na consolidação de um projeto de desenvolvimento sustentável para o Brasil e; o estado de São Paulo, por ser um grande produtor de energia e dos mais industrializados, tem que se colocar esse desafio de induzir, através de políticas e programas, um processo de alteração nas relações de produção e consumo. Pois, temos a compreensão de que o desenvolvimento compreende o processo histórico de evolução técnica e tecnológica, bem como de produção e reprodução das condições de vida no planeta; ambientalmente sustentável, socialmente equitativo e geopoliticamente equilibrado, proprocionando uma nova abordagem sobre o papel do Estado, democracia e cidadania.


É preciso, pois, ampliar o uso de energias renováveis na matriz energética, que já é significativamente limpa e renovável, como também, a integração energética na América Latina que deve ser construída lastreando-se pela soberania e autodeterminação dos povos. Também, ampliar o acesso à água, que é um direito humano fundamental, promovendo condições adequadas de abastecimento de água, de esgotamento sanitário, de drenagem urbana e de resíduos sólidos – o saneamento ambiental – que são serviços públicos, e estão intimamente ligados à outros como habitação, o direito à cidade e a saúde pública.


Portanto, a FTIUESP, renasce, reafirmando seu caráter pluralista e com a imperiosa responsabilidade, de potencializar a luta no estado de São Paulo, por políticas de energia e saneamento compatíveis com as exigências de um cenário de mudanças globais do clima, que necessita de garantias de equilíbrio ambiental para o conjunto da humanidade e de qualidade de vida para todos os povos. Pela defesa dos serviços públicos com qualidade e controle social e, principalmente, a universalização do acesso aos serviços em quantidade e qualidade adequadas; maior participação dos trabalhadores/as nos processos de formulação e condução dessas políticas.


E alicerçados nos princípios da unidade, da democracia, da autonomia e da liberdade de organização, reafirmamos nossa disposição de luta e a vontade política de concretizar a Federação Paulista, como espaço efetivo de ação político-sindical, potencializando a disputa ideológica, de concepção sindical e buscando despertar nos trabalhadores a dignidade e a consciência cidadã.


Pra dar consecução à esses desafios, aprovamos as seguintes diretrizes para o próximo período:


1. a luta contra a privatização e pelo controle social da energia e do saneamento ambiental;


2. a luta pela liberdade e autonomia sindical como instrumento essencial  da cidadania;


3. o combate a todas as formas de precarização do trabalho e discriminação e luta pela igualdade de oportunidades entre homens e mulheres;


4. o avanço da organização nos locais de trabalho;


5. a defesa do Emprego, Salário e Renda.


Acima de tudo, reafirmamos nosso compromisso militante, mantendo acesa a chama da unidade e do trabalho coletivo para travar novas e velhas batalhas: na busca da ampliação de direitos da classe trabalhadora, com toda a sua diversidade: gênero, raça/etnia, orientação sexual, pessoas com deficiência; da democratização das relações sociais e das relações de trabalho, no rumo de uma sociedade socialista.


Por que esse é nosso compromisso com os trabalhadores e trabalhadoras urbanitárias de São Paulo!


Direção Executiva
FTIUESP – Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas do Estado de São Paulo



 

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