Cemig está perto de comprar a Ampla

02 março 11:55 2010

Acerto estaria fechado e dependeria só da burocracia interna da Endesa


Depois de adquirir o controle acionário da Light, a principal distribuidora de energia elétrica do Rio de Janeiro, a Cemig, controlada pelo governo de Minas Gerais com participação da construtora Andrade Gutierrez, está fechando a negociação para comprar a Ampla, que atua no interior do Rio. Segundo fontes, o negócio está praticamente fechado e depende apenas de burocracia interna da controladora internacional da Ampla, a espanhola Endesa.


O Grupo Endesa foi comprado no ano passado numa parceria da italiana Enel com a alemã EON. Os italianos ficaram com os ativos na América Latina. Venderam a empresa de transmissão Terna para a Cemig. Na mesma época, começaram os rumores de venda também da Ampla. Técnicos da Cemig formaram uma missão técnica para tratar da negociação na Itália.


Representantes da Enel, no entanto, negaram a negociação, em outra ocasião.


Outras fontes do setor também comentam que a construtora Odebrecht estaria interessada no negócio e corre por fora na disputa pelos ativos da Ampla, como forma de tentar entrar no segmento de distribuição. Entre suas principais concorrentes na construção civil, a Odebrecht é a única que está presente apenas na geração de energia. A Andrade Gutierrez participa da Cemig/Light. Já a Camargo Correa tem ativos da CPFL, e está diretamente envolvida na criação de uma gigante do setor elétrico, com a possível compra da Neoenergia (Celpe, Coelba e Cosern).


A Odebrecht tem participação no consórcio que está construindo a Usina de Santo Antônio, no Rio Madeira, e já declarou interesse na de Belo Monte, no Rio Xingu. A negociação para criar essa megacompanhia de distribuição de energia está sendo costurada com participação do governo federal, a exemplo das fusões que ocorreram em outros setores.


Para o professor Nivalde Castro, do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), da UFRJ, há um ‘rearranjo’ do setor no mundo movido pela crise que afetou os balanços de todas as empresas no ano passado. ‘Os grupos espanhóis e italianos que atuam no Brasil estavam muito endividados porque alavancaram altos investimentos. Ficaram com uma situação difícil e chegaram a ser rebaixados pelas agências de classificação de risco’, avaliou.


Para ele, a venda de ativos menos interessantes é a melhor saída para essas companhias reduzirem suas dívidas e se capitalizarem para investimentos mais interessantes. No caso dos antigos ativos da Endesa, segundo analistas, o menos atrativo seria a Ampla. A companhia espanhola tem uma forte posição nos países vizinhos, mas aqui está representada na Ampla e na Coelce.


‘A empresa é um forte player nos países da América Latina, mas não tem planos de investimentos no Brasil. Aqui estão seus ativos menos atrativos. Na distribuidora cearense, pelo menos há pagamento de dividendos, há uma situação mais confortável. Já a Ampla seria a mais fácil de ser descartada””, comentou Ricardo Correa, da Ativa Corretora.


Para o analista, a compra da empresa faz sentido para a Cemig, já que a mineira tem o controle da Light. Com a compra da Ampla, acreditam analistas, a Cemig ampliaria sua área de atuação para um mercado próximo ao seu. ‘Isso dá ganho de escala’, lembra o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires. Para ele, a extensão da Cemig para o Rio consolida a posição de uma das acionistas da companhia, a construtora Andrade Gutierrez. ‘Na prática, a construtora tem interesse de correr atrás do prejuízo. Ou seja, quer ampliar sua atuação na área de distribuição para disputar de igual para igual o mercado consumidor com sua principal concorrente, a Camargo Correa, controladora da CPFL’, avalia. (Kelly Lima, com colaboração de Raquel Massote)

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