Carrefour é condenado a pagar indenização a trabalhador por crime de racismo

19 março 15:37 2010

Januário Alves de Santana, vigilante negro espancado por seguranças no estacionamento do Carrefour de Osasco, na Grande São Paulo, recebeu indenização da empresa. Ele foi acusado de roubar o próprio carro. Ocorrido há sete meses, o episódio de racismo virou caso de polícia. O contrato do acordo proíbe a divulgação do valor da indenização.


O comunicado conjunto, assinado entre Carrefour e Santana, será divulgado hoje pelo advogado de defesa do vigilante. “É uma forma de mostrar que, com diálogo, as duas partes podem sair satisfeitas. A empresa assumiu seu papel e resolveu o problema da melhor forma possível”, avaliou o advogado de defesa, Dojival Vieira.


“O que não significa que se trata de um ‘final feliz’. Entendemos que um flagrante tão cruel da discriminação racial, na verdade, nunca deveria ter ocorrido.”


Santana, de 39 anos, foi espancado por seguranças terceirizados do Carrefour em agosto do ano passado, confundido com ladrão após estacionar sua Ecosport prata – pagava em 72 prestações de R$ 789 – na loja.


Além do pedido formal de desculpas, o Carrefour demitiu funcionários envolvidos no caso e rompeu o contrato com a Empresa Nacional de Segurança Ltda., empregadora dos acusados de terem espancado o vigilante.


Apesar do acordo, ninguém foi punido criminalmente e o inquérito policial sequer foi finalizado. Encaminhado na semana passada para a 2ª Vara Criminal do Fórum de Osasco, a polícia solicitou nova prorrogação do prazo. “Vamos pedir explicação, é absurdo que não tenham terminado o inquérito”, disse Dojival. “Assim, o Ministério Público e a Justiça não podem atuar.”

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