Assédio moral em pauta

30 abril 15:27 2010

A tarde da última segunda (26) na sede do Sinergia CUT, em Campinas, foi marcada pela troca de experiências e esclarecimentos sobre um tema, infelizmente, muito presente na rotina dos trabalhadores do setor energético: o assédio moral.



Convidado pelo Coletivo de Mulheres do Sinergia CUT,o professor da Unicamp e autor do livro “Assédio Moral no Trabalho”, Roberto Heloani, proferiu palestra aos trabalhadores  e trabalhadoras do setor energético e também do próprio Sinergia CUT. A mesma palestra será realizada no próximo dia 29 às 17h na sede do Sindgasista em São Paulo (R. Maria Domitíla, 254 – Brás – São Paulo – SP – 03003-010 – Tel/Fax: (11) 3313-5299).



Heloani abriu a palestra explicando o quanto as novas tecnologias modificaram a relação tempo e espaço no mundo do trabalho, causando, consequentemente,  maior pressão e cobrança aos trabalhadores.“O assédio moral se caracteriza por uma conduta abusiva, frequente e intencional, mediante atitudes, gestos, palavras ou escritos, um conjunto de sinais, que possam ferir a integridade física ou pisíquica de uma pessoa, vindo a por em risco seu emprego, degradando o seu ambiente de trabalho.”, definiu Heloani. Ou seja: quem comete o assédio sabe o que está fazendo e tem um objetivo claro: fazer com que o trabalhador deseje pedir demissão. É exatamente neste contexto que o assédio moral começa a ser utilizado como ferramenta para um projeto político muito claro: a privatização.



Ao exemplificar casos de assédio moral, Heloani citou a reestruturação no Banco do Brasil que utilizou o assédio moral contra trabalhadores com mais tempo de casa para forçar demissões. Resultado: 22 trabalhadores cometeram suicídio, a maioria deles com gravata no local de trabalho.



Os dados apresentados pela recente pesquisa do Dieese sobre terceirização no setor elétrico foram citados pelo professor. “Por que será que o número de acidentes é quatro vezes maior nas empresas terceirizadas? Há algo de errado”,  alerta Heloani.



Segundo o professor, o grande aliado do assédio moral é o desemprego estrutural, o que foi comprovado pelo desabafo de uma trabalhadora do Call Center da CPFL: “O nosso departamento constantemente sofre ameaças de extinção e o que a gente mais ouve é que só vão ficar os melhores”. “Ambientes competitivos estimulam a ocorrência de assédio moral porque deixam de enxergar as pessoas “, completou o professor.
Cada vez mais cresce o número de lares sustentados por mulheres e por isso a angústia, o medo de perder o emprego são constantes entre elas. “A mulher é cobrada na empresa para ser boa funcionária. Em casa, é cobrada pela família”, afirma.



Resistência Tucana
Roberto Heloani é um dos fundadores do site www.assediomoral.org que disponibiliza informações sobre o tema e atua politicamente no combate ao assédio moral. O professor afirma que há uma forte resistência, especialmente por parte do governo do estado de São Paulo em sancionar leis que defendam os trabalhadores do assédio moral. Heloani lembra que Serra, quando governador de São Paulo, foi ao Supremo Tribunal Federal para suspender os efeitos da Lei Estadual 12.250/2006, que proíbe o assédio moral na administração pública. Em 2006 esta lei havia sido vetada pelo então governador Geraldo Alckmin (PSDB), mas teve o veto derrubado pela Assembleia.

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