1º de Maio da CUT

03 maio 12:32 2010

Central comemora Dia do Trabalhador afirmando a necessidade de manter e aprofundar o projeto democrático e popular


Apesar da grande cautela que permeou quase todos os discursos, o ato político do 1º de Maio da CUT na capital paulista foi marcado por uma retrospectiva dos sete anos de governo Lula e pela defesa da eleição de Dilma Rousseff.


A cautela deve-se à lei eleitoral. Somente o secretário de relações internacionais Adolfo ‘Fito’ Aguirre, da Central dos Trabalhadores Argentinos, e o presidente da CSA (Confederação Sindical dos Trabalhadores das Américas), Victor Baez, fizeram menção explícita à eleição de Dilma Rousseff, pré-candidata à Presidência da República. Os demais, incluindo Lula, foram implícitos. Coube ao público presente na Praça Cívica do Memorial da América Latina o coro de ‘Dilma, Dilma’, em diferentes momentos.


Lula fechou o ato com uma fala emocionada, que incluiu lágrimas ao dizer que ‘fomos leais àquilo que nos comprometemos quando assumimos o governo’.


Antes dele, o presidente nacional da CUT, Artur Henrique, lançou oficialmente a ‘Plataforma da CUT para as Eleições 2010’, lembrando que o documento, que traz mais de 200 propostas, ‘é resultado do esforço coletivo de sindicatos, federações e confederações que discutiram durante dois anos ideias para garantir os avanços dos últimos anos e aprofundar as conquistas’. Em retrospectiva, lembrou que ‘há 10 anos, quando fazíamos nossos atos do 1º de Maio, discutíamos sempre o que fazer para deter o desemprego, o arrocho salarial, a retirada de direitos, as privatizações. Hoje, podemos debater uma agenda positiva, podemos entregar essa Plataforma com propostas de avanços. Nosso maior objetivo agora é impedir o retrocesso e continuar mudando o Brasil’, afirmou Artur.


Aloizio Mercadante, senador e pré-candidato ao governo de São Paulo, abriu sua fala com o dado de que 657 mil empregos foram criados nos últimos três meses, ‘a maior média da história do Brasil’. Em referência indireta ao pré-candidato José Serra, ex-governador do estado, que recentemente criticou o Mercosul, Mercadante afirmou que ‘o que queremos é uma América Latina rica, uma parceria estratégica fundamental para o Brasil e para a região’. Lembrou ainda que a era tucana em São Paulo produziu, entre outras coisas, uma média de 2 horas e 43 minutos de engarrafamento diário para cada motorista da cidade, e filas imensas nas estações de trens e metrô. ‘E os professores, que trabalham com giz, são tratados com borracha, com cassetetes’.


Integração latino-americanaDilma Rousseff afirmou que o 1º de Maio é um momento propício para ‘olhar para o passado e ver se os compromissos assumidos foram cumpridos. Nosso governo tem conduzido o Brasil a um cenário em que mais de 21 milhões de pessoas saíram da miséria, através de instrumentos de distribuição de renda’. Sobre política internacional, afirmou que o País deixou ‘de estar de joelhos diante das potências do Hemisfério Norte e tem se inserido de maneira soberana nas relações políticas e econômicas’.


Lula fechou o ato. Lembrando que o tema do 1º de Maio deste ano é a integração latino-americana, aproveitou para atacar a política externa do período tucano. ‘Com a Alca, eles queriam simplesmente acoplar a nossa região ao domínio tecnológico dos Estados Unidos. Nós já tínhamos a experiência da área de livre comércio entre México, Estados Unidos e Canadá’. Em seguida, destacou que atualmente a América Latina é a maior parceira comercial do Brasil.


Trabalhadores em festa’Eles só viajavam para Londres, Paris, Washington, Nova Iorque. Parecia que só interessava a eles os europeus e norte-americanos. Não sabiam que a beleza desse nosso povo é a mistura de negro, índio e europeu. Essa salada de frutas é nossa riqueza’.


Dirigindo-se à imprensa, lembrou que, em seu programa de governo de 2003, havia menção à necessidade de criar mais de 10 milhões de empregos. ‘Me cobravam o tempo todo, como se eu tivesse prometido criar todos aqueles postos de trabalho. Não era uma promessa, era uma constatação da necessidade que tínhamos. Pois então, só por desaforo, até o final deste mandato vamos criar mais de 14 milhões de empregos com carteira assinada’, provocou.


Milton Nascimento homenageia Mercedes SosaAdi dos Santos Lima, presidente da CUT-SP, organizadora da celebração, afirmou que ‘nosso 1º de Maio dialoga com as centrais de 20 países da região, pois temos uma agenda comum pelo trabalho decente. Debatemos este e outros temas com cultura, música e arte’.


Antes do ato político, houve apresentações musicais do Quinteto Bachiana, sob regência de João Carlos Martins, de Raíces de América, do cantor Fernando Ferrer e de Milton Nascimento. Depois do ato, Carlinhos Brown fechou a noite. (Isaías Dalle)

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