CTEEP privatizada reduziu e terceirizou 50% dos quadros

06 maio 13:27 2010

Empresa possui 2.556 funcionários, dos quais 1.256 são terceirizados. Sinergia CUT irá denunciar a CTEEP em audiência na Alesp, no próximo dia 13


O Sindicato dos Trabalhadores Energéticos do Estado de São Paulo (Sinergia/CUT) elaborou uma série de documentos sobre a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP), em que denuncia os trágicos resultados – tanto para os funcionários como para a sociedade – da privatização levada a cabo em 2006 pelo governo tucano.


“O dossiê exemplifica a realidade vivida pelos trabalhadores do setor, que é de crescente precarização, e o consequente aumento do número de desligamentos, interrupções do sistema, apagões e a incidência de acidentes de trabalho”, declarou o presidente do Sinergia, Jesus Francisco Garcia. Conforme alertou o sindicalista, o que está em curso no estado de São Paulo é uma “desastrosa política de gestão da empresa, que diminuiu investimentos em manutenção, quadro de pessoal, ao mesmo tempo em que promoveu a terceirização de atividades-fins, sobrecargas de trabalho e excesso de horas extras”.


CORTE


Apenas para se ter uma ideia, alertou, o quadro de trabalhadores da CTEEP sofreu uma redução de 45% em 2008. Além disso, segundo o site da empresa, a CTEEP possui hoje 2.556 funcionários, sendo 1.256 terceirizados, ou seja, praticamente a metade.


Jesus acrescentou que, entre tantos absurdos e desmandos, o apagão de 10 de novembro de 2009 exemplificou a magnitude do problema: a CTEEP foi a última empresa a restabelecer o sistema, levando exatas seis horas e doze minutos. “Elaboramos um dossiê que comprova a necessidade da revisão dos contratos de concessão”, sublinhou.


Apresentado pelo Sinergia ao Ministério das Minas e Energia no final de março, o documento será agora objeto de audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo, no próximo dia 13. Na ocasião, a convite do deputado estadual Rui Falcão (PT), estarão sendo debatidas as conseqüências da privatização do setor energético no estado, bem como avaliadas as propostas para a sua regulamentação.


A CTEEP foi entregue à ISA no ano de 2006, em um dos maiores escândalos da privatização do PSDB. Na época do leilão, embora avaliada em R$ 16 bilhões, a estatal foi repassada à companhia estrangeira por apenas R$ 1,193 bilhão. Para concretizar a negociata, o então presidente da estatal, José Sidnei Colombo Martini, foi enviado pelo governo paulista, cinco meses antes da “venda”, a uma reunião com a diretoria da ISA, em Bogotá. O episódio escancarou o objetivo pré-estabelecido de entrega do patrimônio público paulista.


A partir da privatização/desnacionalização, a CTEEP começou a registrar constante queda na qualidade dos serviços prestados, demissões em massa e cobrança de tarifas exorbitantes, tudo associado a uma margem de lucro cada vez maior, repassada aos seus cofres no estrangeiro. Segundo as demonstrações contábeis do novo proprietário, durante o ano de 2007, a empresa registrou lucro líquido de R$ 855,483 milhões, o que representa um aumento de 630% em relação a 2006. Em contraposição, a empresa reduziu em 63% as despesas com serviços de operação.


LUCROS


Nem mesmo o recuo do PIB provocado pela crise internacional em 2009 abalou os resultados econômicos promissores da CTEEP, que registrou R$ 828 milhões de lucro. Apesar dos trágicos resultados sociais, inexplicavelmente a empresa colombiana conseguiu um considerável empréstimo de R$ 329.137.380 do BNDES entre outubro de 2008 e março de 2009. (Leonardo Severo)

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