Privataria em debate

13 maio 16:13 2010

Audiência sobre os 14 anos da privatização do setor energético acontece na tarde desta quinta-feira (13) na Assembleia Legislativa de SP


Passados quase 14 anos da madrugada de 26 de junho de 1996, quando a maioria da base do governo tucano aprovou a lei que autorizou a venda das empresas energéticas da população paulista, o Sinergia CUT (Sindicato dos Trabalhadores Energéticos do Estado de São Paulo), a Ftiuesp (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas do Estado de SP) e o deputado Rui Falcão (PT) promovem uma audiência para debater a situação atual do setor energético paulista nesta quinta-feira, dia 13.


A pauta do debate é justamente a participação do capital privado – a maioria internacional – na reestruturação do setor energético paulista e as consequências para os trabalhadores e para a sociedade. A iniciativa da audiência aconteceu depois que o deputado petista teve acesso a vários documentos elaborados pelo Sindicato, que comprovam irregularidades em todas as empresas energéticas.


Nessa primeira audiência estarão em discussão a situação atual das privatizadas CTEEP, CPFL Energia, Eletropaulo, Elektro, Bandeirante, Tietê, Duke e Comgás, além das estatais CESP/Emae, hoje sucateadas e na mira da privatização. Os documentos reunidos pelo Sindicato comprovam desde a precarização das condições de trabalho, o aumento do número de acidentes graves e fatais, a prática ilegal do trabalhador isolado e de assédio moral constante, até a falta de manutenção preventiva e o sucateamento do sistema elétrico que vem provocando apagões frequentes.


“Não foi por falta de aviso. O cenário atual é só a triste realidade anunciada pelo Sindicato e por especialistas do setor desde que o projeto tucano entrou em discussão em meados dos anos 90”, afirma Jesus Francisco Garcia, presidente do Sinergia CUT.


Para o deputado Rui Falcão, tudo isso é resultado da privataria em SP. “Os serviços privatizados pioraram e os preços das tarifas representam um peso no orçamento doméstico e um aumento nos custos de produção. Hoje, SP está à mercê de monopólios privados”.


Vários convidados


Além de sindicalistas, parlamentares, trabalhadores e representantes de entidades do movimento social, estão convidados para a audiência os presidentes das quatro empresas e das agências reguladoras –  Abrade, Abrage, Abrat, Arsesp. Devem participar também representantes do Ministério Público e do Ministério do Trabalho e Emprego, BNDES, BVQI, FGTS, INSS, Procon e Proteste. A audiência acontece no Auditório Franco Montoro da Assembleia Legislativa a partir das 14h do dia 13 de maio.

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