Presidente Lula deve vir à estreia da TVT, a TV dos Trabalhadores, em São Bernardo

26 julho 15:57 2010

Presidente, autor do primeiro pedido de concessão, deverá participar do evento, que marcará o início das atividades da primeira emissora educativa no Brasil outorgada a um sindicato de trabalhadores


“Os trabalhadores tem direito legítimo a um canal de TV, assim como segmentos como igrejas e universidades já tem”, diz o presidente do Sindicato


Após mais de 23 anos de luta, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e a Fundação Sociedade, Comunicação, Cultura e Trabalho, colocam no ar, em agosto, a primeira emissora de televisão do trabalhador, a TVT.  Com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (ainda a ser confirmada oficialmente), o evento que marcará a estreia da emissora será realizado em São Bernardo do Campo, onde ficam os estúdios da TVT. Todos os detalhes sobre o evento, além de informações técnicas e programação serão fornecidas no próximo dia 29/07 (quinta-feira), às 15h30, na sede do Sindicato, durante entrevista coletiva à imprensa, que será concedida pelo presidente do Sindicato, Sérgio Nobre, e o presidente da Fundação, Valter Sanches.


“É um sonho que começa a ser tornar realidade e também a consagração do projeto de comunicação priorizado por esta direção. O Sindicato representa mais de 100 mil trabalhadores de uma das regiões mais produtivas e importantes do Brasil e da América Latina. Temos, portanto, o direito legítimo e legal a uma emissora de televisão, reivindicação histórica de uma categoria, que foi referendada em sucessivos congressos. Os trabalhadores tem direito a ter uma emissora de TV, assim como outros seguimentos da sociedade, como igrejas e universidades, já tem há tempos”, afirma o presidente do Sindicato, Sérgio Nobre.


A TV dos Trabalhadores irá ao ar pelo canal 46 UHF-Mogi das Cruzes , além de canais comunitários em todo o Estado de São Paulo e também pela NGT – a cabo (na coletiva será fornecida a tabela de numeração de todos os canais que vão transmitir a programação). Inicialmente, a TVT terá uma hora e meia diária de produção própria, com um telejornal e dois programas de debates. Para o restante da grade de programação, foram firmadas parcerias com a TV Brasil e as TVs Câmara e Senado para retransmissão de reportagens especiais e documentários.


SINDICATO É MANTENEDOR DE FUNDAÇÃO – A outorga da emissora foi feita em outubro do ano passado por meio de decreto assinado pelo presidente Lula e pelo então ministro das Comunicações, Hélio Costa passado e publicada no Diário Oficial da União. A concessão é de um canal  educativo e foi feita à Fundação Sociedade de Comunicação, Cultura e Trabalho, entidade que tem como instituidor e mantenedor o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Além do Canal 46 UHF, a Fundação também já teve outorgadas, no ano passado, mais uma emissora UHF e duas emissoras de rádio.


A Fundação Sociedade Comunicação, Cultura e Trabalho foi criada em 10 de setembro de 1991, sem fins lucrativos, para produzir e divulgar programas de conteúdos educativo, cultural, informativo e recreativo, em todo o território nacional. A Fundação é dirigida por conselho composto por 40 membros, que representam diversas categorias de sindicatos filiados à CUT (Central Única dos Trabalhadores), como Metalúrgicos e Químicos do ABC, Bancários de São Paulo e do ABC, Petroleiros, Professores e Jornalistas de São Paulo. Em outubro de 2007,  assembléia extraordinária no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC aprovou aporte no valor de R$ 15 milhões à área de comunicação para os próximos anos.


ACM NEGOU – O primeiro pedido de concessão de canais de rádio e televisão para os trabalhadores via Sindicato foi feito em setembro de 1987. A entidade participou de quatro concorrências de concessão de radiodifusão e foi preterida em todas, apesar de ter cumprido todos os requisitos exigidos por lei. Em 1992, houve mais uma negativa, à época já em nome da Fundação Sociedade Comunicação, Cultura e Trabalho.


Em abril de 2005, a Fundação conseguiu a concessão do canal educativo 46, com sede no município de Mogi das Cruzes (Grande São Paulo), com aprovação do Congresso Nacional. Na ocasião, o presidente Lula assinou o decreto da concessão na abertura do 16º Congresso Continental da Ciosl-Orit (Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres – Organização Regional Interamericana de Trabalhadores), que reuniu representantes das principais centrais sindicais de 29 países das Américas.


No ato, Lula lembrou que era deputado constituinte quando levou o deputado federal e então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Vicentinho (PT), para conversar com o ministro das Comunicações à época, Antônio Carlos Magalhães (governo Sarney), e pedir pela primeira vez a concessão.

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