Mercado vê três interessadas em comprar Elektro

13 agosto 15:20 2010

DA REUTERS


CPFL Energia, Cemig e Neoenergia têm interesse em comprar a Elektro, oitava maior distribuidora de energia do Brasil e terceira maior do Estado de São Paulo. A informação é do IFR, um serviço da Thomson Reuters.


As negociações estariam em estágio avançado, com valor da transação de R$ 7 bilhões ou mais, segundo apontou o IFR nesta quinta-feira.


Das três potenciais compradoras, CPFL e Cemig teriam ganhos de sinergias por já possuírem ativos próximos à área de concessão de Elektro, de acordo com analistas ouvidos pela Reuters.


A Elektro é o antigo braço de distribuição da geradora estatal paulista Cesp. A norte-americana AEI (Ashmore Energy International) detém 99,68% da empresa brasileira.


Conforme o IFR, se a compra da Elektro for concretizada, é provável que a operação seja uma das maiores de fusões e aquisições no Brasil em 2010.


Procurada pela Reuters, a Elektro e Neoenergia disseram que não vão comentar o assunto. A Cemig informou estar em período de silêncio pela proximidade da divulgação de seu resultado trimestral. Até a publicação da reportagem, a CPFL não respondeu a solicitação.


Mais cedo nesta quinta-feira, em teleconferência com analistas para falar sobre o resultado da CPFL no segundo trimestre, o presidente da companhia, Wilson Ferreira Jr., afirmou que o interesse da empresa em ativos de distribuição concentra-se em locais próximos à área de atuação da empresa.


Assim como a Elektro, a CPFL tem forte presença em distribuição de energia elétrica no interior paulista.


VALOR DO NEGÓCIO


A Elektro atende a cerca de dois milhões de clientes de 223 cidades do Estado de São Paulo e cinco municípios do Mato Grosso do Sul.


No ano passado, a Elektro teve lucro líquido de R$ 485,6 milhões, crescimento de 23,9%. A receita líquida foi de R$ 2,7 bilhões, alta de 6%. Em 2009, a Elektro distribuiu 11.035,6 gigawatts-hora (GWh) a clientes finais, volume 1,8% superior a 2008.


Para a analista Rosângela Ribeiro, da SLW Corretora, entre as três supostas interessadas, ‘a CPFL teria o maior ganho de sinergias com a compra da Elektro, embora a Cemig esteja interessada em qualquer ativo que lhe traga retorno’.


Ela lembrou que em outras ocasiões a controladora AEI afirmou não ter interesse em se desfazer da Elektro. ‘Para pagar um valor deste porte, talvez seja necessário que a interessada faça um consórcio para a aquisição’, observou, referindo-se aos R$ 7 bilhões.


Para um analista do setor que preferiu não se identificar, o valor citado pelo IFR é muito alto mesmo se considerada a baixa dívida líquida da Elektro, que em dezembro passado era de R$ 838,5 milhões.


Na América do Sul, a AEI tem ativos também na Argentina e na Bolívia. Tais negócios poderiam entrar no acordo envolvendo a Elektro, segundo o analista.


‘A Elektro é a joia da coroa. Para eles, pode interessar condicionar a venda da distribuidora brasileira a um ativo que não ofereça tanto retorno’, afirmou.

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