Desenvolvimento sustentável é tema de debate no 4º Congresso do Sinergia CUT

27 agosto 17:51 2010

Delegados acompanham exposição feita pelo presidente da Agência Nacional da Água, Vicente Andreu Guillo e presidente da CUT Nacional Artur Herique


No segundo dia do 4º Congresso do Sinergia CUT, mais de 300 delegados acompanharam as atividades do período da manhã. O convidado Álvaro Domingos, coordenador do Centro de Formação dos Trabalhadores Energéticos, ligado ao sindicato Sinergia, de Portugal fez uma breve fala sobre a importância de troca de conhecimentos entre sindicatos internacionais. “Com a globalização, as empresas de energia passam a atuar em diferentes países e que as condições de trabalho e Acordos deveriam ser universais.”, defende o sindicalista.


Em seguida, foi aberta a mesa que teve como tema: desenvolvimento sustentável e includente: perspectivas para a energia democracia. O dirigente do Sinergia CUT, Vicente Andreu Guillo, que hoje ocupa a presidência da Agência Nacional da Água (ANA), começou sua exposição conceituando que o acesso digno ao saneamento é um indicador de qualidade de vida, assim como o acesso à energia elétrica, que indica também distribuição de renda. Segundo o presidente da ANA, a gestão dos recursos hídricos deve ter um planejamento casado com o setor elétrico para que haja desenvolvimento econômico e social no Brasil.


“O meio ambiente conhece muito pouco o setor de energia elétrica. Nós, que pensamos a energia elétrica de forma diferente, temos obrigação de apresentar essas propostas de gestão adequada dos recursos hídricos, fazendo o planejamento por bacias hidrográficas, um estudo de viabilidade.”, afirma Guillo.


Citou como exemplo a usina de Balbina, localizada no rio Uatumã (Bacia Amazônica), município brasileiro de Presidente Figueiredo, inaugurada no final da década de 80, que é considerada a pior do mundo em relação à área inundada e energia gerada. A proposta do presidente da ANA é que o lago de Balbina, que se localiza em terras indígenas, seja reduzido em 700 km2. “Temos um papel muito relevante para fazer com que o setor elétrico seja mais humanizado e tenha uma visão ambiental no Brasil”, defende o presidente da Agência.


Na sequencia, falou o presidente da CUT Nacional, Artur Henrique. Em sua exposição, defendeu que os recursos do pré-sal devem ser utilizados para a pesquisa pra a geração de energia limpa e alternativa. O debate sobre as diferentes formas de se produzir energia trazem também impacto na organização sindical. A energia extraída da cana de açúcar, por exemplo, envolve o trabalhador que cultiva a cana, o que processa quimicamente a matéria prima, e o que distribui. “Essa divisão não nos ajuda. Há um banco por trás dos empreendimentos neste setor, acionistas, donos de terras. Devemos ter estruturas mais sólidas e preparadas para enfrentar esses desafios. A possibilidade de crescimento em várias áreas do nosso setor exige que a gente se antecipe nas estratégias. O Sinergia CUT tem feito isso, a federação também. Temos que fazer essa preparação anterior para fazer a organização de base.”, afirma o presidente da CUT Nacional.

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