Empresas de energia e de rodovias lucram mais

20 setembro 10:27 2010

Nos últimos cinco anos, as empresas de energia lideraram um grupo de nove companhias que conseguiram manter um retorno sobre o patrimônio líquido acima de 30% ao ano no período. Entre elas estão AES Tietê, Companhia Energética do Maranhão, Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba), Elektro e Tractebel.


Economia acelerada. A CCR, que controla o Rodoanel Mário Covas teve rentabilidade de 23% no primeiro semestre


Uma das explicações para o resultado é que, normalmente, as empresas de energia são grandes pagadoras de dividendos. Ao distribuir quase todo o lucro, ela não altera o patrimônio líquido, que é um dos fatores para determinar a rentabilidade da empresa. Além disso, o brasileiro paga uma das maiores tarifas de energia do mundo.


Pedágios. Outro setor altamente rentável é o de concessões rodoviárias, em que as empresas têm monopólios legais. A CCR Rodovias, por exemplo, além de administrar estradas também tem a Controlar, que faz inspeção veicular em São Paulo. De acordo com os dados da Economática, até julho a rentabilidade da empresa estava em 23,1%. O resultado é explicado pelas boas notícias na economia.


Com a melhora nos indicadores de emprego e renda, o brasileiro aumentou a frota de veículos do País e passou a gastar mais com lazer, incluindo viagens a locais mais distantes. Os novos hábitos se refletiram diretamente na expansão do fluxo de veículos nas estradas e nos ganhos das concessionárias de rodovias. Para os analistas, a rentabilidade dessas companhias tende a se manter em um patamar elevado nos próximos anos, já que o grosso dos investimentos foi feito no início das concessões.


Neste ano, o setor foi o que apresentou a maior rentabilidade entre as empresas não financeiras: 20,9%. O segmento de veículos e peças ficou em segundo, com 20,1%. Outra explicação para o avanço na rentabilidade das empresas nos últimos anos é a expansão das fusões e aquisições. Ao se incorporar a outras, as companhias ganham um aumento de escala surpreendente, que se reflete no salto dos indicadores financeiros e de eficiência. ‘De um ano para outro, a melhora nos números é muito grande quando há um processo de fusão’, diz Rafael Paschoarelli.


O aumento da rentabilidade das empresas não enche os olhos apenas dos investidores, que usam o indicador como um filtro para encontrar as companhias que podem gerar grandes lucros. Ele significa também a possibilidade de as empresas investirem mais em seus negócios.


‘Por um lado aumenta a produtividade das companhias, o que reduz o risco inflacionário por causa do avanço da demanda. Além disso, mais investimento representa mais emprego e renda’, diz o economista José Márcio Camargo. (Reneé Pereira)

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