Aposentados: 30% preferem continuar trabalhando

29 setembro 16:32 2010

Cerca de um terço das pessoas que têm condições de se aposentar preferem continuar trabalhando. É o que mostra um balanço da Previdência Social do primeiro ano de envio cartas-aviso. O programa teve início em junho do ano passado e avisa o trabalhador que ele já reúne as condições para se aposentar.


Dos 17.477 documentos enviados, 34,15% ignoraram o documento e o restante, 65,8%, agendou atendimento para solicitar o benefício.
Para o professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) e especialista em previdência, Newton Conde, o fator previdenciário pesa na decisão de se aposentar.


O mecanismo entrou em vigor em 1999 para desestimular aposentadorias precoces e beneficiar trabalhadores que se mantivessem na ativa. Com o fator, quanto mais cedo o trabalhador se aposenta, menor é o valor do benefício inicial. A fórmula leva em consideração a idade e o tempo de contribuição.


‘Se uma pessoa começou a trabalhar jovem, com 15 anos, quando ela completar 50 anos poderá se aposentar, mas terá um benefício baixo. Se ela depender dessa aposentadoria, não terá condições de parar de trabalhar’, afirma Conde.


Segundo o especialista, a maioria das pessoas solicita a aposentadoria e a considera como um salário extra. No entanto, quando chega o momento de parar de trabalhar definitivamente, a pessoa se dá conta que o valor é muito baixo porque solicitou o benefício cedo.
‘Por isso, é importante fazer as contas e avaliar se vale a pena se aposentar cedo, mas com um benefício inferior à média salarial’, completa Conde.


‘Cada caso é um caso. Uma pessoa se aposenta, continua trabalhando, mas poderá sacar o FGTS todo o mês e fazer um investimento. Aposentar mais cedo acaba sendo mais vantajoso para quem ganha mais’, diz o professor do Laboratório de Finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA), Ricardo Humberto Rocha.

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