Publicidade só para os outros?

19 outubro 14:10 2010

As estatais que disputam fatias de mercado têm por hábito anunciar em todos os veículos. A Revista do Brasil, por seu público, merece mais atenção do mercado publicitário


Primeiro por tratar-se de uma revista de pauta plural e diversificada, capaz de suprir carências dos mais diversos públicos por informação de qualidade; segundo, por ser uma das poucas publicações de orientação de esquerda com essa amplitude editorial, isto é, existe um público consumidor que não encontra no mercado editorial publicações à altura de sua dimensão; e terceiro, por se dirigir aos trabalhadores formais, de elevada escolaridade e com poder aquisitivo respeitável – ou seja, um consumidor qualificado. É o que constata a Petrobras, em nota.


Setores da imprensa no entanto, gostariam que fosse direito exclusivo dos veículos que se dedicam a fazer oposição ao governo Lula – embora não se trate de uma ‘imprensa livre’ e crítica, como se atribuem. Trata-se de uma imprensa partidária e deliberadamente oposicionista, como admitiu a executiva da Folha Judith Brito, presidente da Associação Nacional dos Jornais. E que tem feito como nunca essa oposição de maneira hostil, sistemática e organizada, conforme revelaram os participantes do ‘Fórum Democracia e Liberdade’ organizado pelo Instituto Millenium (http://bit.ly/tropa_de_elite), de onde saiu boa parte do receituário que guiou a pauta da velha imprensa.


Obviamente, incomoda-os a perspectiva de conviver com um ambiente de partilha mais equilibrada das receitas publicitárias – ainda longe de se estabelecer no Brasil, onde a estrutura de imprensa comercial é absurdamente concentrada e monopolista, das concessões públicas de rádio e TV à distribuição de produtos em bancas. Incomoda-os ainda conviver com o risco de uma concorrência saudável, na qual um púbico insatisfeito com a produção atual da mídia brasileira passe a encontrar outras opções no mercado editorial. Isso para ficar no campo da disputa pelo mercado editorial – sem falar na incômoda concorrência no campo das ideias, num mercado midiático dominado por interesses políticos e econômicos há bem pouco tempo exclusivo dos comunicadores do pensamento único que tentou governar a opinião pública.


O surgimento de novas opções no mundo da informação pode tornar o público mais exigente, e passar a requerer dos concorrentes mais qualidade do que os panfletos ideológicos e partidários que se têm visto nos últimos tempos – por exemplo, um jornal que se diz o maior do país publicar que a presidente da Apeoesp, Maria Izabel de Noronha, liderou greve ‘contra o governo Serra’, e não a favor dos maltratados educadores paulistas. Os donos da chamada ‘grande’ mídia, que muitos, com efeito, já chamam de velha mídia, deveriam comemorar o prenúncio de uma concorrência saudável. O Brasil só terá a ganhar.

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