Liminar impede demissões no Call Center da CPFL

12 novembro 15:58 2010

No final da tarde de sexta (05), juíza da 10ª Vara do Trabalho de Campinas concede liminar que impede demissões no Call Center da CPFL


O Sinergia CUT obteve, no início da noite da última sexta (05), a primeira vitória em relação à batalha contra as demissões no Call Center da CPFL. A juíza da 10ª Vara do Trabalho de Campinas, Rita de Cássia Scangliusi do Carmo, concedeu liminar que impede as demissões em razão da chamada “reestruturação do Call Center”, incluindo as dispensas até o julgamento final.


A conquista dessa liminar é resultado da luta do Sinergia CUT em defesa do emprego e da manutenção de postos de trabalho e da não precarização do serviço junto aos consumidores. Assim que tomou conhecimento da intenção da CPFL em  desativar o Call Center de Campinas, no último dia 04, o Sindicato apresentou o pedido de liminar para suspender as demissões e fechamento previstos na chamada “reestruturação do Call Center”. Isso depois de esgotar todas as tentativas de negociação diretamente com a CPFL para evitar as demissões.


Vale destacar que a liminar pode ser cassada pela empresa a qualquer momento, mas o Sindicato considera essa a primeira vitória para os trabalhadores que estão sendo demitidos arbitrariamente pela CPFL.
Na quinta (04) pela manhã, a CPFL convocou os 135 trabalhadores do Call Center a comparecer à sede da empresa para oficialmente efetivar os desligamentos. Segundo dirigentes do Sinergia CUT, os trabalhadores fizeram diversas perguntas aos representantes da CPFL, mas a maioria permaneceu sem respostas, apenas com o sentimento de indignação e frustração.


No período da tarde, o Sinergia CUT promoveu uma reunião de esclarecimentos aos trabalhadores demitidos, que lotaram o auditório do Sindicato. A área jurídica orientou e informou os trabalhadores sobre as ações que estão sendo apresentadas pelo Sindicato.


Protesto
O Sinergia CUT realizou um ato de protesto na quinta (04) na sede da empresa, denunciando a ilegalidade das demissões. “Estão usando uma concessão pública para criar empresas que precarizam as condições de trabalho, o que é inadmissível”, afirma a direção do Sinergia CUT.


“Meu sentimento é de frustração, porque estivemos todos presentes quando a empresa precisou de nós, inclusive para treinar os trabalhadores da CPFL Atende em Ourinhos e Araraquara. É impossível que uma empresa desse tamanho não tenha como reaproveitar os 135 trabalhadores do Call Center”, declarou Lucilene Batista, que integrava o quadro efetivo da CPFL há cinco anos e oito meses. A trabalhadora, viúva com dois filhos, compareceu à CPFL na quinta para receber a notícia da desativação do Call Center de Campinas.


‘Terceirização ilegal’
O Sinergia CUT considera o Call Center uma atividade fim, cuja terceirização foi proibida pela Justiça. Mas a CPFL tem burlado essa decisão, promovendo uma terceirização disfarçada ao criar novas empresas dentro do grupo com outros CNPJs para prestarem serviço de teleatendimento. Durante o ato de protesto, os dirigentes do Sindicato referiram-se ao processo de reestruturação do Call Center como “terceirização ilegal”.


Para a direção do Sinergia CUT, a  prática da CPFL é ilegal. “É uma tentativa fraudulenta de burlar a legislação, o contrato de concessão,  decisões judiciais e ACT para gastar menos e aumentar lucros em cima da precarização das condições de trabalho e em detrimento do bom atendimento à população”.


Isso porque, ao criar a CPFL Atende com centrais em Ourinhos e Araraquara, paga aos trabalhadores dessas empresas piso inferior ao dos trabalhadores da sede. Segundo apuração do Sinergia CUT, o trabalhador da CPFL Atende recebe R$ 600, enquanto os trabalhadores do Call Center em Campinas têm o piso salarial de R$ 1.170. Outros exemplos da chamada “terceirização ilegal” são a CPFL Serviços (que presta serviços operacionais) e a Central de Serviços Compartilhado (prestadora de serviços na área administrativa), também criadas pela CPFL.


Há tempos o Sindicato combate as tentativas da empresa em terceirizar e ou precarizar as condições de trabalho no Call Center.  Em 2000, Sindicato e empresa homologaram na Justiça um Acordo para garantir que o Call Center fosse centralizado em Campinas, com atendimento exclusivo pelo quadro próprio. A empresa também descumpriu o acordo judicial.


 

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